sexta-feira, 19 de março de 2010

Taj Mahal







O Taj Mahal (em hindi ताज महल, persa تاج محل) é um mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia e o mais conhecido[1] dos monumentos do país. Encontra-se classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Foi recentemente anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em uma celebração em Lisboa no dia 7 de Julho de 2007.

A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens,[2] trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.

Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.

Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.

Origem e inspiração

Localização de Agra na ÍndiaO imperador Shah Jahan foi um prolífero mecenas, com recursos praticamente ilimitados. Sob a sua tutela construíram-se os palácios e jardins de Shalimar em Lahore, também em honra da sua esposa.

Mumtaz Mahal deu ao seu esposo 14 filhos, mas faleceu no último parto e o imperador, desolado, iniciou quase de seguida a construção do Taj como oferta póstuma. Todos os pormenores do edifício mostram a sua natureza romântica e o conjunto promove uma estética esplêndida. Aproveitando uma visita realizada em 1663, o explorador francês François Bernier realizou o seguinte retrato do Taj Mahal e dos motivos do imperador que levaram à sua edificação:

[...] Completarei esta carta com uma descrição dos maravilhosos mausoléus que outorgam total superioridade a Agra sobre Deli. Um destes foi erigido por Jehan-guyre em honra do seu pai Ekbar, e Shah Jahan construiu outro de extraordinária e celebrada beleza, em memória da sua esposa Tage Mehale, de quem de diz que o seu esposo estava tão apaixonado que lhe foi fiel toda a sua vida e, após a sua morte, ficou tão afectado que não tardou em segui-la para a morte.[3]

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Síntese histórica

Soldados estado-unidenses em 1942, em frente do Taj Mahal, cuja cúpula se encontra coberta pelo gigantesco andaime que a protegeria de eventuais ataques das forças aéreas alemãs e japonesas.A pouco tempo do término da obra em 1657, Shah Jahan adoeceu gravemente e o seu filho Shah Shuja declarou-se imperador em Bengala, enquanto Murad, com o apoio do seu irmão Aurangzeb, fazia o mesmo em Gujarat. Quando Shah Jahan, caído doente no seu leito, se rendeu aos ataques dos seus filhos, Aurangzeb permitiu-lhe continuar a viver exilado no forte de Agra. A lenda conta que passou o resto dos seus dias observando pela janela o Taj Mahal e, depois da sua morte em 1666, Aurangzeb sepultou-o no mausoléu lado a lado com a esposa, gerando a única ruptura da perfeita simetria do conjunto.

Em finais do século XIX vários sectores do Taj Mahal estavam muito deteriorados por falta de manutenção e durante a época da rebelião hindu, em 1857, foi arrestado por soldados britânicos e oficiais do governo, que lhes arrancavam as pedras embutidas nas paredes e o lápis-lazúli dos seus muros. Em 1908 completou-se a restauração ordenada pelo vice-rei britânico, Lord Curzon, que também incluiu o grande candelabro da câmara interior segundo o modelo de um similar que se encontrava numa mesquita no Cairo. Curzon ordenou a remodelação dos jardins ao estilo inglês que ainda hoje se conservam.

Durante o século XX melhorou o cuidado com o monumento. Em 1942 o governo construiu um andaime gigantesco cobrindo a cúpula, prevendo um ataque aéreo da Luftwaffe e, posteriormente, da força aérea japonesa. Esta protecção voltou a erguer-se durante as guerras indo-paquistanesas, de 1965 a 1971. As ameaças mais recentes provêm da poluição ambiental nas ribeiras do rio Yamuna e da chuva ácida causada pela refinaria de Mathura. Ambos os problemas são objecto de vários recursos ante a Corte Suprema da Justiça da Índia.

Em 1993, foi eleito como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, e é hoje um importante destino turístico. Recentemente, alguns sectores sunitas reclamaram para si a propriedade do edifício, baseando-se de que se trata do mausoléu de uma mulher desposada por um membro deste culto islâmico. O governo indiano rejeitou a reclamação considerando-a mal-fundamentada, já que o Taj Mahal é propriedade de toda a nação indiana.

Elementos formais
Elementos formais do Taj Mahal.Os elementos formais e decorativos são empregues repetida e consistentemente por todo o complexo, unificando o vocabulário estético. As principais características do mausoléu refletem-se no resto da construção:

Finial: remate ornamentado das cúpulas usado nos pagodes asiáticos igualmente.
Decorações de lótus: esquemas cujo motivo é a flor de lótus, esculpidos nas cúpulas.
Amrud: Cúpula em forma de cebola, típica na arquitectura islâmica e que, mais tarde, seria usada na Rússia.
Tambor: base cilíndrica da cúpula, que serve de apoio e transição formal sobre o resto do edifício.
Guldasta: agulha decorativa fixa no rebordo das balaustradas.
Chattri: galeria de colunas e cúpula, utilizado principalmente em monumentos de carisma comemorativo.
Cenefas: painéis esculpidos sobre as arcadas.
Caligrafía: escritura estilizada de versos do Corão sobre as arcadas principais
Arcadas ou portais: também denominados pishtaq (palavra persa para os portais).
Dados: painéis decorativos sobrepostos às paredes da fachada frontal do edifício.
[editar] Influências

Planta do conjuntoO Taj Mahal incorpora e amplia as tradições idílicas do Islão, da Pérsia, da Índia e da arquitectura mogol antiga.

O desenho geral do projecto inspirou-se numa série de edifícios mogóis, entre os quais a tumba de Itmad-Ud-Daulah e a Jama Masjid, em Deli. Sob o mecenato de Shah Jahan, a arquitectura mogol alcançou novos níveis de refinamento. Antes do Taj Mahal era habitual edificar com pedra vermelha, mas o imperador promoveu o uso de mármore branco com incrustações de pedras semipreciosas.

Os artesãos indianos, especialmente escultores e decoradores, percorriam os países asiáticos durante esta época e o seu trabalho era particularmente apreciado pelos construtores de mausoléus. A arquitectura palaciana mogol, aplicada noutros edifícios indianos (como o palácio Man Sing, em Galore), foi a grande fonte inspiradora dos chattris que se vêem no Taj Mahal.

Simetria
O conjunto do Taj Mahal, com a sua fachada principal perpendicular a uma ribeira do Yamuna, foi construído com os seguintes elementos arquitectónicos:

Portal de acesso
Tumbas secundárias
Pátios
Pátio (esplanada) de acesso principal
Darwaza ou forte de acesso
Jabaz
Mesquita
Mausoléu
Minaretes
No centro, os amplos jardins divididos em quadrados, organizam-se mediante a cruz formada pelos canais. A superfície da água reflete os edifícios, produzindo um efeito adicional de simetria.

Os jardins

O jardim com os caminhos junto ao tanque centralO complexo encontra-se rodeado de um grande chahar bagh[4] que mede 320 x 300 metros e inclui canteiros de flores, caminhos elevados, avenidas de árvores, fontes, cursos de água, e pilares que reflectem a imagem dos edifícios na água.

Cada secção do jardim é dividida por caminhos em 16 canteiros de flores, com um tanque central de mármore a meio caminho entre a entrada e o mausoléu, que devolve a imagem reflectida do edifício.

O chahar bagh foi introduzido na Índia por Babur, o primeiro imperador mogol, segundo um desenho inspirado na tradição persa a fim de representar os jardins do paraíso.[5] Nos textos místicos do Islão no período mogol, o paraíso é descrito como um jardim ideal, pleno de abundância. A água tem um papel-chave nestas descrições, já que se referem quatro rios que surgem de uma fonte central, constituída por montanhas, que dividem o Éden em quatro partes segundo os pontos cardeais (norte, sul, este e oeste).

A maioria destes jardins mogóis são de forma rectangular, com um pavilhão central. O Taj Mahal é invulgar neste sentido, já que situa o edifício principal, o mausoléu, num dos extremos. Mas a recente descoberta da existência do "Mahtab bagh" (Jardim da Lua) na ribeira oposta do rio Yamuna permite uma interpretação distinta, incorporando o vale no desenho global de tal forma que se converta em um dos rios do paraíso.

O traçado dos jardins e as características arquitectónicas principais, como as fontes, caminhos de mármore e azulejo, e canteiros lineares do mesmo material — similares ao jardim de Shalimar — sugerem que podem ter sido desenhados pelo mesmo engenheiro, Ali Mardan.

As descrições mais antigas do jardim mencionam sua profunda vegetação, com abundância de rosas, narcisos e árvores frutíferas. Com a declinação do império mogol também decresceu o mantimento, e quando os britânicos assumem o controle do Taj Mahal, introduzem modificações paisagísticas para refletir melhor o estilo dos jardins de Londres.

No entanto, os visitantes poderão admirar-se ao ver os jardineiros cortar a relva com uma máquina puxada por bois.


Panorama de 360º dos jardins Char bagh

Edifícios secundários

Darwaza de acesso ao Taj MahalO complexo está limitado por três lados por um muro em pedra vermelha. Após os muros, existem vários mausoléus secundários, incluindo os das demais viúvas de Shah Jahan e do servente favorito de Mumtaz. Estes edifícios, construídos principalmente com pedra vermelha, são típicos dos edifícios funerários mogóis da época.

Do lado interior os muros completam-se com uma colunata coroada por vários arcos, característica comum nos templos hindus, incorporada nas mesquitas mogóis. A distâncias fixas incluem-se os chattris e outras pequenas construções que podem ter sido utilizadas como miradouros, incluindo a que actualmente se chama «Casa da Música», utilizada como museu.


Interior do jawab usado possivelmente como hospedariaA entrada principal, a "darwaza", é um edifício monumental construído também em pedra vermelha. O estilo recorda a arquitectura mogol e os primeiros imperadores. As suas arcadas repetem as formas do mausoléu, e incorporam a mesma caligrafia decorativa. Se utilizam decorações florais em baixo-relevo e incrustações. As paredes e os tectos abobadado apresentam elaborados desenhos geométricos, similares aos que existem em outros edifícios do complexo. Originalmente a entrada fechava-se com duas grandes portas de prata, que foram desmontadas e fundidas pelos jats em 1764.


O masjid, a mesquitaNo extremo do complexo erguem-se dois grandes edifícios laterais ao mausoléu, paralelos aos muros este e oeste. Ambos são fiéis ao reflexo um do outro. O edifício ocidental é uma mesquita e o seu oposto é o,[6] cujo sentido original era balancear a composição arquitectónica e crê-se que foi usado como hospedaria. As diferenças consistem em que o jawab não tem minarete e os seus pisos apresentam desenhos geométricos, enquanto os da mesquita estão decorados com um desenho em mármore negro que marca a posição das tapeçarias para a oração de 569 fiéis.

O projecto básico da mesquita é similar a outras construções mandadas edificar por Shah Jahan, especialmente o seu Jama Masjid, em Deli, que consiste numa grande sala rematada por três cúpulas. As mesquitas mogóis desta época dividem o santuário em três áreas distintas: um sector principal com duas alas.

O mausoléu

O Iwan principal do mausoléuO foco visual do Taj Mahal, ainda que não se localize no centro do conjunto, é o mausoléu de mármore branco. Como a maioria dos edifícios funerários mogóis, os elementos básicos são de origem persa. Um edifício simétrico com um iwan[7] e coroado por uma grande cúpula.

A tumba descansa sobre um pedestal quadrado. O edifício consiste numa grande superfície dividida em múltiplas salas, das quais a central alberga o cenotáfio de Shah Jahan e Muntaz. Na realidade, as tumbas reais encontram-se num nível inferior.

A base é essencialmente um cubo com vértices cortados, de 55 metros de lado. Sobre cada lado, uma grande pishtaq ou arcada rodeia o iwan, com um nível superior similar de balcões. Estes arcos principais elevam-se até ao tecto da base, gerando uma fachada integrada.


O Taj Mahal visto do rio Yamuna.A cada lado da arcada principal, há arcadas menores em cima e em baixo. Este motivo repete-se nas esquinas. O projecto é completamente uniforme e consistente nos quatro lados da base. Em cada esquina do pedestal base, um minarete complementa o conjunto.

A cúpula de mármore branco sobre o mausoléu é visivelmente o mais espectacular elemento do conjunto. A sua altura é quase igual à da base, em torno de 35 metros, dimensão que se acentua por estar apoiada num tambor circular de sete metros de altura.

A cúpula tem uma forma de cebola. Os árabes chamam a esta tipologia da cúpula amrud, ou seja, com forma de maçã. O terço superior da cúpula está decorado com um anel de flores de lótus em relevo, e no remate uma agulha ou finial dourada combina tradições islâmicas e hindus. Esta agulha termina numa lua crescente, motivo típico islâmico, com os seus extremos apontando para o céu. Pela sua colocação sobre a agulha, o topo desta e os extremos da lua combinados formam uma figura semelhante a um tridente, exacerbo do símbolo tradicional hindu para a divindade de Shiva. O corpo final contém, aliás, uma série de formas bolbosas.


Base, cúpula e minareteA figura central mostra um forte parecido com o kalash ou kumbh, o barco sagrado da tradição hindu. A forma da cúpula enfatiza-se também pelos quatro chattris em cada esquina. As cúpulas destes replicam a forma da central. As suas bases decoradas com colunas abrem através do tecto do mausoléu um espaço para a entrada de luz natural no interior do espaço fechado. Os chattris também estão rematados por finiais.

Nas paredes laterais, as estilizadas espirais decoradas em relevo ajudam a aumentar a sensação de altura do edifício, e repetem-se os motivos de lótus ao longo desta e das restantes, assim como em todos os chattris.

Em cada esquina do pedestal eleva-se um minarete: quatro grandes torres de mais de 40 m de altura que novamente mostram a atracção do Taj pelo desenho simétrico e repetitivo, criando em parte vários padrões. As torres estão desenhadas como minaretes funcionais, elemento tradicional das mesquitas onde o almuadem chama os fiéis islâmicos à oração. Cada minarete está dividido em três partes iguais por dois balcões que o rodeiam com anéis. No topo da torre, um terraço coberto por um chattri repete o desenho do mausoléu.

Estes chattris têm todos os mesmos detalhes de acabamento: o desenho de flor de lótus e o finial dourado sobre a cúpula. Cada minarete foi construído levemente inclinado para fora do conjunto. Desta maneira, em caso de queda, algo não tão improvável nesse tempo para construções de semelhante altura, o material iria cair longe do templo.

Decoração
Exterior

Detalhe da cúpula do mausoléu.Praticamente toda a superfície do complexo foi ornamentada e encontra-se entre as mais belas decorações exteriores mogóis de qualquer época. Também neste aspecto, os motivos repetem-se em todos os edifícios e elementos. Da proporção ao tamanho da superfície a decorar, a decoração exterior vislumbra-se mais ou menos refinada e detalhada. Os elementos decorativos pertencem basicamente a três categorias, recordando que a religião islâmica proíbe a representação da figura humana:

Caligrafia
Elementos geométricos abstractos
Motivos vegetais
Estas decorações efectuaram-se com três técnicas diferentes:

Pintura ou estuque aplicado sobre as paredes
Incrustação de pedras
Esculturas
Caligrafia

Caligrafia sobre o grande portal de acesso ao mausoléu.As passagens do Corão são utilizadas em todo o complexo como elementos decorativos. Os textos criados pelo calígrafo persa da corte mogol Amanat Khan são tão detalhados e fantasiosos, que se tornam quase ilegíveis. A assinatura do calígrafo surge em vários painéis.

A letras estão incrustadas com quartzo opaco sobre os painéis de mármore branco. Alguns dos trabalhos são extremamente detalhados e delicados, especialmente os que se encontram no mármore dos cenotáfios da tumba. Os painéis superiores estão escritos com caligrafia proporcionada para compensar a distorção visual ao observá-los desde baixo.

Estudos recentes sugerem que foi também Amanat Khan quem seleccionou as passagens do Corão. Os textos referem em geral temas de justiças, de inferno para os incrédulos e de promessa de paraíso para os fiéis. Entre as principais passagens, incluem-se as seguintes suras: 91 (o sol) , 112 (pureza da fé) , 89 (descanso diário) , 93 (luz da manhã), 95 (as figueiras), 94 (a abertura), 36 (Ya Sin) , 81 (a escuridão), 84 (a ferida), 98 (a evidência), 67 (o domínio) , 48 (a vitória), 77 (os enviados) e 39 (os grupos).


Decoração geométrica: «espinha de peixe».[editar] Decoração geométrica abstracta
As formas de arte abstractas são utilizadas especialmente no pedestal do mausoléu, nos minaretes, na mesquita, no jawab, e também em superfícies menores do templo. As cúpulas e abóbadas dos edifícios de pedra estão trabalhadas com traceria.[8] As cúpulas e abóbadas dos edifícios de pedra estão trabalhadas com traceria para criar elaboradas formas geométricas.

Nas zonas de transição o espaço entre elementos vizinhos preenche-se com traceria, formando padrões em V. Nos edifícios de pedra vermelha usa-se uma traceria branca e sobre o mármore branco utiliza-se como elemento contrastante uma traceria escura ou mesmo negra.

O chão está coberto por mosaicos de cores e formas distintas combinados em padrões geométricos diferentes.

A técnica da incrustação sobre as placas de mármore apresenta tal perfeição que as juntas entre as pedras e gemas incrustadas apenas se distinguem com uma lente de aumento, uma lupa. Uma flor, de apenas sete centímetros quadrados, tem 60 incrustações ou marchetarias diferentes, que oferecem ao tecto uma superfície irregular.

Motivos vegetais

Motivos vegetais: detalhe do painel junto a um arco.As paredes baixas do templo funerário mostram frisos de mármore com baixos-relevos de flores e vegetais que foram polidos para ressaltar o extremo requinte do trabalho. Os frisos e as arcadas foram decorados com incrustações de pedras semipreciosas formando desenhos muito estilizados de flores, frutos e outros vegetais. As pedras incrustadas são mármore amarelo, jade, quartzo polido e outras gemas menores.

Interior
A sala central do Taj Mahal apresenta uma decoração que vai para além das técnicas tradicionais, e aparenta com formas mais elevadas da arte manual, como a ourivesaria e a joalharia. Aqui o material usado para as incrustações já não é mármore ou jade, mas sim gemas preciosas e semipreciosas. Cada elemento decorativo do exterior foi redefinido mediante jóias. A sala principal contém ainda os cenotáfios de Mumtaz e Shah Jahan, obras-primas de artesanato, sem precedentes na época.

A forma da sala é octogonal e ainda que o desenho permita ingressar por qualquer dos lados, só a porta sul, em direcção aos jardins é usada habitualmente. As paredes interiores têm aproximadamente 25 metros de altura, sobre as quais se construiu uma falsa cúpula interior decorada com motivos solares. Oito arcos definem o espaço a nível do solo. Similar ao que se sucede no exterior, a cada meio arco sobrepõe-se um segundo a meia altura na parede. Os quatro arcos centrais superiores formam balcões com miradouros para o exterior. Cada janela deste balcões leva um intrincado trabalho de mármore, o o jali. Além da luz proveniente dos balcões, a iluminação complementa-se com a que ingressa através dos chattris em cada esquina da cúpula exterior.

Cada uma das paredes da sala foi detalhadamente decorada com frisos em baixo-relevo, intrincadas incrustações de pedraria e refinados painéis de caligrafia, refletindo inclusivamente o nível minimalista do complexo. Com estes elementos, cria-se uma espécie de ligação ou fusão simétrica do espaço interior e exterior, numa linha decorativa que permite que contactem directamente os dois espaços do complexo funerário.

A tradição muçulmana proíbe a decoração elaborada das campas, pelo que os corpos de Mumtaz e Shah Jahan descansam numa câmara relativamente simples debaixo da sala principal do Taj Mahal. Estão sepultados segundo um eixo norte-sul, com os rostos inclinados para a direita, em direcção a Meca.


Os cenotáfios, as campas vazias.Todo o Taj Mahal se centra em redor dos cenotáfios que duplicam em forma exacta a posição das duas campas e são cópia idêntica das pedras do sepulcro inferior.

O cenotáfio de Mumtaz ergue-se no centro exacto da sala principal, sobre uma base rectangular de mármore de aproximadamente 1,50 × 2,50 metros. Há uma pequena urna também de mármore. Tanto a base como a urna estão incrustadas com um requintado trabalho de gemas. As inscrições têm a função de identificar Mumtaz e protegê-la, em jeito de oração. Na tampa da urna sobressai um placa, que se assemelha a um quadro de escola.

O cenotáfio de Shah Jahan está junto ao de Mumtaz, formando a única disposição assimétrica de todo o complexo. É maior que o da sua esposa, mas contém os mesmos elementos: uma grande urna com base alta, também decorada com maravilhosa precisão mediante incrustações e caligrafia identificadora. Sobre a tampa da urna existe uma escultura de uma pequena caixa de penas de escrever.[9]


Placas do cenotáfio, em mármore talhado e com incrustações de pedras preciosas. Processo construtivo
A construção do Taj Mahal iniciou-se com a fundação do mausoléu. Escavou-se e formou-se com os escombros uma superfície de aproximadamente 12.000 m² para reduzir o risco de infiltrações do rio. Toda a área foi levantada a uma altura de quase 15 metros sobre o nível da ribeira. O Taj Mahal tem uma altura aproximada de 60 metros e a cúpula principal mede 20 metros de diâmetro e 25 de altura.

Na zona do mausoléu cavaram-se poços até encontrar água e preencheram-se com pedra formando as bases da fundação. Deixou-se um poço aberto em torno do edifício para monitorizar as mudanças do nível da água subterrânea.

Ao invés da utilização de andaimes de bambu, comuns na época, os trabalhadores construíram colossais andaimes de ladrilho por fora e por dentro das paredes do mausoléu. Estes andaimes eram tão grandes, que muitos estimam anos como o tempo que se demorou a desmantelá-los. De acordo com a lenda, Shah Jahan decretou que qualquer um poderia levar os ladrilhos e, em consequência, muitos foram levados, pela noite, pelos camponeses locais.

Para transportar o mármore e outros materiais desde Agra até ao local da edificação, construiu-se uma rampa de terra de 15 km de comprimento. De acordo com os registos da época, para o transporte dos grandes blocos utilizaram-se carreiras especialmente construídas, tiradas por carros de vinte ou trinta bois.

Para colocar os blocos em posição foi necessário um elaborado sistema de roldanas montadas sobre postes e vigas de madeira, e a força de juntas de bois e mulas.

A sequência construtiva foi:

A base ou pedestal;
O mausoléu com a sua cúpula;
Os quatro minaretes;
A mesquita e o jawab;
O forte de acesso;
O pedestal e o mausoléu consumiram doze anos de construção. As restantes partes do complexo tomaram mais dez anos. Como o conjunto foi construído por etapas, os historiadores da época informam diferentes datas de «término», a causa possivelmente de opiniões divergentes sobre a definição da palavra «término». Por exemplo, o mausoléu em si foi completado em 1643, mas o trabalho continuou no resto do complexo.

Infraestrutura hidráulica
A água para o Taj Mahal provinha de uma complexa infraestrutura que incluia séries de purs, movidos por animais, que levavam a água a grandes cisternas, onde, mediante mecanismos similares, se elevava a um grande tanque de distribuição erguido sobre a planta baixa do mausoléu.

Do tanque principal de distribuição, a água passava por três tanques subsidiários, desde os quais se conduzia a todo o complexo. A uma profundidade de 1,50 metros, corre a conduta de barro que completa o sistema de rega dos jardins. Outros canos em cobre alimentam as fontes no canal norte-sul, e escavaram canas secundários para regar o resto do jardim. As fontes não se conectaram de forma directa com os tubos de alimentação, mas sim a um tanque intermediário de cobre debaixo de cada saída, com o fim de igualar a pressão em todas.

Os purs não se conservaram, mas sim o resto das instalações.

Artesãos e construtores

Interior da cúpula, mostrando o trabalho geométrico em pedra.O Taj Mahal não foi projectado por uma só pessoa, mas exigiu talento de várias origens. Os nomes dos construtores das diversas especialidades que participaram na obra chegaram aos nossos dias através de diversas fontes.

Dos discípulos do grande arquiteto otomano Koca Mimar Sinan Agha, Ustad Isa e Isa Muhammad Effendi, tiveram um papel-chave no desenho do complexo.[10] Alguns textos em idioma persa mencionam Puru de Benarus como arquitecto supervisor.[11]

A cúpula principal foi desenhada por Ismail Khan do Império Otomano,[12] considerado o primeiro arquiteto e construtor de cúpulas daquela época. Qazim Khan, um nativo de Lahore, moldou o finial de ouro maciço que coroa a cúpula principal. Chiranjilal, um artesão de Deli, foi o escultor chefe e responsável pelos mosaicos. Amanat Khan de Shiraz, Pérsia), foi o responsável da caligrafia[13] Muhammad Hanif foi o capataz de maçonaria (arte de trabalhar a pedra). Mir Abdul Karim e Mukkarimat Khan de Shiraz, Pérsia, supervisionaram as finanças e a gestão da produção diária.

O grupo de artistas incluindo escultores de Bucara, calígrafos da Síria e Pérsia, mestres em incrustação do sul da Índia, cortadores de pedra de Baluchistão, um especialista em construir torres, outro que gravava flores sobre os mármores, completando um total de 37 artesãos principais. Esta equipe directriz esteve acompanhada por uma força laboral superior a 20.000 trabalhadores recrutados em todo o norte da Índia.

Os cronistas europeus, especialmente durante o primeiro período do Raj britânico, sugeriram que alguns dos trabalhos do Taj Mahal tinham sido obra de artesãos europeus. A maioria destas suposições eram puramente especulativas, mas uma referência de 1640, segundo a carta de um frade espanhol que visitou Agra, menciona que Geronimo Veroneo, um aventureiro italiano na corte de Shah Jahan, foi o responsável principal do desenho. Não há prova científica demonstrável para provar esta afirmação, nem se citou nenhum Veroneo nos documentos relativos à obra que ainda se conservam. E.B. Havell, o principal investigador britânico de arte indiana no último Raj descartou esta teoria por não se encontrar evidência alguma e por resultar inconsistente com os métodos empregados pelos desenhistas.

Materiais
O principal material empregado para a construção é o mármore branco trazido em carros puxados por bois, búfalos, elefantes e camelos desde as pedreiras de Makrana, no Rajastão, situadas a mais de 300 km de distância.

O segundo material mais utilizado é a pedra arenisca rochosa, empregada na construção da maioria dos palácios e fortes muçulmanos anteriores à era de Shah Jahan. Este material foi utilizado em combinação com o mármore negro, nas muralhas, no acesso principal, na mesquita e no jawab.

O Taj Mahal inclui, aliás, outros materiais trazidos de toda a Ásia. Mais 1.000 elefantes transportaram materiais de construção dos confins do continente. O jaspe foi importado do Punjab, e o cristal e o jade, da China.

Do Tibete trouxeram-se turquesas e do Afeganistão o lápis-lazúli, enquanto as safiras provinham de Ceilão e os quartzos da Península arábica. No total utilizaram-se 28 tipos de gemas e pedras semipreciosas para fazer as incrustações no mármore.

Custo

O então presidente da Rússia Vladimir Putin com sua esposa em visita ao Taj Mahal em 2000.O custo total da construção do Taj Mahal estima-se em 50 milhões de rupias. Naquele tempo, um grama de ouro valia aproximadamente 1,40 rupias, de modo que segundo a valorização actual, a soma poderia significar mais de quinhentos milhões de dólares estadounidenses. Deve ter-se em conta, não obstante, que qualquer comparação baseada no valor do ouro entre distintas épocas resulta à partida muito inexata.

Lendas e hipóteses
Origem do nome

Taj Mahal significa "Coroa de Mahal".A palavra "Taj" provem do persa, linguagem da corte mogol, e significa "Coroa", enquanto que "Mahal" é uma variante curta de Mumtaz Mahal, o nome formal na corte de Arjumand Banu Begum, cujo significado é "Primeira dama do palácio". Taj Mahal, então, refere-se à "coroa de Mahal", a amada esposa de Shah Jahan. Já em 1663 o viajante francês François Bernier mencionou o edifício como "Tage Mehale".

O Taj Negro
Uma velha tradição popular afirma que se previu construir um mausoléu idêntico na margem oposta do rio Yamuna, substituindo o mármore branco por negro. A lenda sugere que Shah Jahan foi destronado por seu filho Aurangzeb antes de a versão negra ser edificada, e que os restos de mármore negro que podem encontrar ao cruzar o rio são as bases inacabadas do segundo mausoléu.

Estudos recentes desmentem parcialmente esta hipótese e projetam novas luzes sobre o desenho do Taj Mahal. Todos os restantes grandes túmulos mogóis situavam-se em jardins formando uma cruz, com o mausoléu no centro. O Taj Mahal, pelo contrário, está disposto em forma de um grande "T" com o mausoléu num extremo. O rasto das ruínas na margem oposta do rio estende o desenho até formar um esquema de cruz, em que o próprio rio se converteria em canal central de um grande chahar bagh. A cor negra parece ser produto da ação do tempo sobre os mármores brancos originalmente abandonados no local. Os arqueólogos chamaram a este segundo e nunca construído Taj como "Mahtab Bagh", ou seja, "Jardim de Luz da Lua".

O programa do History Channel sobre o Taj Mahal especula que o Taj Negro seria a imagem do Taj Mahal refletido em um espelho d'água.[14]

O túmulo assimétrico de Shah Jahan

De notar que o cenotáfio de Shah Jahan está deslocado do centro, como foi colocado na sua morte.Aurangzeb situou o túmulo e o cenotáfio de Shah Jahan no Taj Mahal em vez de lhe construir um mausoléu próprio como era característico para os imperadores. Esta ruptura da simetria é atribuída por uma lenda complementar do Taj Negro à malícia ou à indiferença de Aurangzeb. Os avós deste último tinham sido já sepultados num mausoléu com configuração assimétrica semelhante.

O filho de Shah Jahan era um homem piedoso, e o Islão evita todo o tipo de ostentação, especialmente no aspecto funerário. Assim, em lugar de utilizar um ataúde, era normal usar simplesmente um sudário para sepultar os mortos.

Os livros islâmicos descrevem a sepultura em ataúdes como "um gasto inútil, que poderia ser melhor utilizado para alimentar o faminto ou ajudar o necessitado". Segundo a visão de Aurangzeb, construir um mausoléu novo para Shah Jahan teria sido um desperdício. Por isso sepultou o seu pai junto a Mumtaz Mahal sem mais complicações.

Mutilação dos trabalhadores
Um sem-fim de histórias descrevem, muitas vezes com detalhes horripilantes, a morte, desmembramento e mutilação que Shah Jahan teria infligido a vários artesãos relacionados com a construção do mausoléu. Talvez a história mais repetida é a de que como o imperador teve à sua disposição os melhores arquitetos e decoradores, depois de completar o seu trabalho fazia-os cegar e cortar as mãos para que não pudessem voltar a construir um monumento que igualasse a superioridade do Taj Mahal. Nenhuma referência respeitável permite assegurar estas hipóteses, na qual alguns crêem, por outro lado, que fosse uma prática bastante comum em relação a alguns grandes monumentos da Antiguidade.

Elementos desaparecidos
Abundam as lendas em relação a muitos elementos roubados pertencentes ao Taj Mahal. Alguns foram deteriorados pelo tempo, mas muitos dos supostos elementos em falta são apenas lendas.

Entre as falsas perdas mais difundidas, destacam-se:

As folhas de ouro, que supostamente cobriam toda a parte da cúpula principal.
A Varanda dourada, que teria rodeado os cenotáfios, possivelmente por confusão com os limites provisórios colocados e logo substituídos ao terminar as cantarias de mármore.
Os diamantes, supostamente incrustados nos cenotáfios.
O tecido de pérolas, que segundo alguns cobria o cenotáfio de Mumtaz.
Outros elementos perderam-se ao longo do tempo, entre eles:

Os portões de prata do forte de acesso.
As folhas douradas que cobriam as juntas metálicas das cantarias de mármore em torno dos cenotáfios.
Numerosas tapeçarias que cobriam os interiores do mausoléu.
As lâmpadas esmaltadas do interior.

Plano britânico para demolir o Taj Mahal
Uma historia freqüentemente repetida narra que Lord William Bentinck (governador da Índia na década de 1830) pensou em demolir o Taj Mahal e vender o mármore. Em algumas versões do mito, a demolição esteve iminente, mas não começou porque Bentinck foi incapaz de criar uma projeto viável do ponto de vista financeiro. Não há provas da época sobre tal plano, que pode ter sido difundido no final do século XIX quando Bentinck era criticado por seu insistente utilitarismo e Lord Curzon enfatizava a negligência em que haviam incurrido os anteriores responsáveis do monumento, apresentando-se a si mesmo como um salvador do património indiano.

De acordo com John Rosselli, biógrafo de Bentinck, a história foi criada a partir de outros acontecimentos, de tipo diferente: a venda de mármore proveniente do forte de Agra e a de um famoso embora obsoleto canhão, em ambos casos com fins de beneficência.[15]

O templo de Shiva

Taj Mahal ao amanhecer.O presidente do instituto revisionista indiano, P.N. Oak, tem afirmado repetidamente que o Taj Mahal foi na realidade um templo hindu dedicado ao deus Shiva, usurpado e remodelado por Shah Jahan. Segundo ele, o nome original do templo era "Tejo Mahalaya", que logo passou a "Taj Mahal" mediante corrupção fonética.

Oak assegura também que os túmulos de Humayun, Akbar e Itimiad-u-Dallah, tal como a cidade do Vaticano em Roma,[16] a Kaaba em Meca, Stonehenge, e "todos os edifícios históricos" na Índia, foram templos ou palácios hindus.

O Taj é apenas uma mostra típica de como todos os edifícios históricos de origem hindu desde Caxemira ao Cabo Comorim, têm sido atribuídos a este ou aquele governo muçulmano.[17]

Em seguida assegurou que o Taj "não era" um templo de Shiva, mas que poderia ter sido o palácio de um rei do Rajput. De qualquer modo mantinha a sua acusação de que o monumento era de origem indiana, roubado por Shah Jahan e adaptado como túmulo. Oak assegurava que Mumtaz não estava sepultada ali. Disse também que os numerosos testemunhos da época relativos à construção do Taj Mahal, incluindo os volumosos registos financeiros de Shah Jahan e das suas directivas sobre a obra eram fraudes elaboradas para ocultar a origem hindu.

Estas provocantes acusações fizeram que Oak fosse conhecido pelo público através dos media. Chegaram a iniciar-se demandas judiciais para conseguir a abertura dos cenotáfios e a demolição por parte da alvenaria do primeiro piso, já que nesses "falsos túmulos" e em "salas seladas" se ocultariam vários elementos correspondentes ao Shivalingam ou outro monumento.

As acusações de Oak não são aceites pelos especialistas, mas estes mitos têm sido igualmente utilizados por vários activistas do nacionalismo hindu.

Em 2000 a Supremo Tribunal de Justiça indeferiu as petições de Oak relativas à declaração de origem hindu do Taj Mahal, e condenou-o a pagar os custos judiciais.[18] De acordo com Oak, a rejeição pelo governo indiano da sua petição é parte de uma conspiração contra o hinduísmo.

Cinco anos depois, o tribunal de Allahabad rejeitou uma petição similar, neste caso interposta por Amar Nath Misrah, um pregador que assegura que o Taj Mahal foi construído pelo rei hindu Parmar Dev em 1196.[19]

Visões do Taj Mahal

Vista do Taj Mahal a partir do forte de Agra.Ao longo dos séculos o Taj Mahal inspirou a prosa de viajantes, escritores, e outras personalidades de todo o mundo, colocando em relevo a grande carga emocional que representa o monumento:

Apesar dos seus adornos severos, puramente geométricos, o Taj Mahal flutua. Na cúpula, a imensa cúpula, há algo levemente excessivo, algo que todo o mundo sente, algo doloroso. Documenta a mesma irrealidade. Porque a cor branca não é real, não pesa, não é sólida. Falso abaixo do Sol, falso na claridade da Lua, espécie de pez prateado construído pelo homem com uma ternura nervosa.

— Henri Michaux
O Taj Mahal parece a encarnação de todas as coisas puras, de todas as coisas sagradas e de todas as coisas infelizes. Este é o mistério de edifício.

— Rudyard Kipling
Uma lágrima no limiar dos tempos.

— Rabindranath Tagore

Presente e futuro
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Desde 1985 têm-se vindo a notar instabilidades na estrutura do mausoléu, incluíndo a inclinação progressiva dos altos minaretes. As principais causas parecem ser a progressiva seca do leito do rio Yamuna, modificando o teor de humidade do solo, e sua capacidade portadora.[20]
O edifício denuncia uma grande fragilidade às emanações industriais muito poluentes para a atmosfera.[21] Ordens judiciais determinaram o fim da circulação de veículos motorizados em redor do complexo.
As autoridades de Agra permitem novamente a visita em noites de luar, passeio tradicional pelo monumento, que foram proibidas desde 1984 por receio de atentados da rebelião Sikh daquela época.[22] O mármore branco apresenta características de fluorescência sob a luz da Lua.
O Taj Mahal foi nomeado em 7 de julho de 2007 como parte das Novas sete maravilhas do mundo. Incontáveis turistas têm visitado o lugar - mais de três milhões em 2004.[23]
Tendo em conta que o complexo inclui uma mesquita, o acesso à sexta-feira permite-se somente a fiéis muçulmanos

sábado, 13 de março de 2010

MUSEU DO LOUVRE





O Museu do Louvre (Musée du Louvre), instalado no Palácio do Louvre, em Paris, é um dos maiores e mais famosos museus do mundo. Localiza-se no centro de Paris, entre o rio Sena e a Rue de Rivoli. O seu pátio central, ocupado agora pela pirâmide de vidro, encontra-se na linha central dos Champs-Élysées, e dá forma assim ao núcleo onde começa o Axe historique (Eixo histórico).

É onde se encontra a Mona Lisa, a Vitória de Samotrácia, a Vénus de Milo, enormes coleções de artefatos do Egito antigo, da civilização greco-romana, artes decorativas e aplicadas, e numerosas obras-primas dos grandes artistas da Europa como Ticiano, Rembrandt, Michelangelo, Goya e Rubens, numa das maiores mostras do mundo da arte e cultura humanas. O museu abrange, portanto, oito mil anos da cultura e da civilização tanto do Oriente quanto do Ocidente.

O Louvre é gerido pelo estado francês através da Réunion des Musées Nationaux. Foi o museu mais visitado do mundo em 2007, com 8,3 milhões de visitantes.




O edifício

O primeiro real "Castelo do Louvre" neste local foi fundado por Filipe II em 1190, como uma fortaleza para defender Paris a oeste contra os ataques dos Vikings. No século seguinte, Carlos V transformou-o num palácio, mas Francisco I e Henrique II rasgaram-no para baixo para construir um palácio real; as fundações da torre original da fortaleza estão sob a Salle des Cariatides (Sala das Cariátides) agora. Mais tarde, reis como Luís XIII e Luís XIV também dariam contribuições notáveis para a feição do atual Palácio do Louvre, com a ampliação do Cour Carré e a criação da colunata de Perrault.

As transformações nunca cessaram na sua história, e a antiga fortaleza militar medieval acabaria por se tornar um colossal complexo de prédios, hoje devotados inteiramente à cultura. Dentre as mais recentes e significativas mudanças, desde o lançamento do projeto "Grand Louvre" pelo presidente François Mitterrand, estão a transferência para outros locais de órgãos do governo que ainda funcionavam na ala norte, abrindo grandes espaços novos para exposição, e a construção da controversa pirâmide de vidro desenhada pelo arquiteto chinês I. M. Pei no centro do pátio do palácio, por onde se faz agora o acesso principal. O museu reorganizado reabriu em 1989.



História
O Palácio do Louvre foi a sede do governo monárquico francês desde a época dos Capetos medievais até o reinado de Luís XIV. A transformação do complexo de edifícios em museu iniciou em 1692, quando Luís XIV ordenou a criação de uma galeria de esculturas antigas na Sala das Cariátides. No mesmo ano, o palácio, então desabitado, tendo a corte se transferido para Versalhes, recebeu a Academia Francesa, e logo a Academia de Belas Letras e a Academia Real de Pintura e Escultura também ali se instalaram. No prédio também aconteceram, a partir de 1699, os tradicionais salões de arte promovidos pela Academia de Pintura e Escultura, que atraíam multidões. De início organizados na Grande Galeria, os salões de 1725 em diante passaram a acontecer do Salão Quadrado (Salon Carré), de onde derivou o nome destas exposições - Salão.

Por outro lado, entre 1750 e 1785 espaços no Palácio de Luxemburgo foram reservados para exibição de obras-primas selecionadas das coleções reais, numa exposição que teve grande sucesso. Em vista disso, o Marquês de Marigny, Superintendente Geral dos Edifícios do Rei, e seu sucessor, o Conde de Angivillier, desenvolveram a idéia de tornar o Louvre um museu permanente. O projeto se transformou em lei em 6 de maio de 1791, quando a Assembléia Revolucionária decretou que o palácio deveria ser um repositório de todos os monumentos das ciências e das artes.

Assim, foi o museu inaugurado como Museu Central das Artes em 10 de agosto de 1793, com um acervo formado principalmente por pinturas confiscadas à família real e aos aristocratas que haviam fugido da Revolução Francesa, exibidas na Grande Galeria e no Salão Quadrado. O público tinha acesso gratuito, mas apenas nos fins de semana, ficando os outros dias reservados para o trabalho dos artistas que desejavam ali estudar as obras dos grandes mestres, determinação que ficaria em vigor até 1855. Gradualmente a coleção foi expandida e ocupou muitas outras salas do complexo.

No período imperial o museu adotou o nome de Museu Napoleão, sendo Dominique-Vivant Denon seu primeiro diretor. Napoleão ordenou reformas e embelezamentos no edifício, e suas conquistas sobre outros países renderam uma grande quantidade de novas peças para o Louvre, embora com a queda do imperador em 1815 as nações espoliadas reclamassem seus tesouros, despovoando as galerias do museu.

Em 1824 foi criado o Museu da Escultura Moderna na Galeria d'Angoulême, com cinco salas para exibição de peças provenientes do Museu dos Monumentos Franceses e do Palácio de Versalhes. Em 1826 Champollion se tornou o diretor do novo Departamento de Antiguidades Egípcias. No ano seguinte foi criado o Museu Carlos X no primeiro pavimento da ala sul do Cour Carré, com uma coleção de antigüidades egípcias, bronzes antigos, vasos etruscos e artes decorativas medievais e renascentistas, ao mesmo tempo em que na ala norte se instalava o Museu da Marinha.


A "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, óleo sobre tela, 1503-19, provavelmente concluída enquanto o artista estava na corte de Francisco I. É uma das obras mais conhecidas do acervo do museu
Alexandros de Antióquia: a Vênus de Milo, outra das peças-símbolo do LouvrePor um breve período, entre 1838 e 1848, uma importante coleção mais de 400 pinturas espanholas foi mostrada na Galeria Espanhola, criada por Luís Filipe, até ser vendida em Londres poucos anos depois. Não obstante, a presença desta coleção na França, que pouco conhecia da arte espanhola, foi uma influência decisiva sobre artistas como Corot e Manet.

Com o desenvolvimento da arqueologia e novas escavações e aquisições no Oriente, uma quantidade de relíquias da antigüidade foi transportada para o museu, dando origem à fundação no Louvre do primeiro museu de Assiriologia da Europa, inaugurado em 1847. Este foi seguido em breve pela criação do Museu Mexicano, do Museu Etnográfico e do Museu da Argélia, atendendo ao gosto pelo exótico que se tornava uma voga na época, e ao crescente interesse dos estudiosos pelas artes tradicionais de outros povos, sendo instalados no Pavilhão de Beauvais. Também nesta época se acrescentaram três novas grandes galerias ricamente decoradas.

Sob Napoleão III foi aberto o Museu dos Soberanos na Colunata de Perrault, dedicado a exibir as relíquias da monarquia francesa desde Childerico I até Napoleão, constituindo um acréscimo importantíssimo ao Departamento de Artes Decorativas. Também foi terminada a ala norte, ligando o Louvre e o Palácio das Tulherias, incluindo outras alas menores internas e pátios, conformando o Cour Napoleon, finalizado em 1857, com decoração acabada em 1861. Outro acréscimo importante foi a aquisição da coleção do Marquês de Campana, com mais de 11 mil peças de pintura, artes decorativas, esculturas e antigüidades, formando o Museu Napoleão III. Durante a Comuna de Paris o Palácio das Tulherias, um grande símbolo da monarquia, foi incendiado, e o fogo chegou a ameaçar o Louvre.

Depois de longa hesitação entre a reconstrução do palácio perdido ou sua demolição, decidiu-se por esta, marcando o início do Louvre moderno. Foram reconstruídas as extremidades do antigo Palácio das Tulherias, hoje os Pavilhões de Flora e Marsan, e duplicou-se a ala norte. Escavações no Oriente trouxeram novas peças para o Departamento de Antigüidades do Oriente Próximo recentemente criado, sendo apresentadas ao público em 1888 em salas novas.

O início do século XX viu nascer o Museu de Artes Decorativas, criado em função das Exposições Universais de Paris. Na seqüência, uma grande doação da Baronesa Delort de Gléon, e mais a reunião de outras peças similares anteriormente dispersas nas seções de artes decorativas, levou em 1922 à abertura de uma galeria exclusivamente para Arte Islâmica no Pavilhão do Relógio, e logo o diretor dos Museus Nacionais, Henri Verne, lançou um plano ambicioso de expandir os espaços disponíveis para arte no palácio, que até então abrigava também diversos escritórios da administração pública. Assim foram reorganizadas várias galerias para escultura antiga, escultura européia, pinturas, arte egípcia e do Oriente Próximo, e artes decorativas.

Com a eclosão da II Guerra Mundial as coleções foram evacuadas, com exceção das peças mais pesadas, que permaneceram protegidas por sacos de areia. O acervo foi inicialmente depositado no Castelo de Chambord e a seguir foi disperso entre vários locais, permanecendo constantemente em mudança, por medidas de segurança. Mesmo esvaziado, o museu reabriu ao público em 1940 com uma coleção de cópias em gesso de estátuas célebres. Em 1943, com a coleção ampliada, o Museu da Marinha por transferido para o Palácio de Chaillot.

Depois da guerra se iniciou um plano para reorganização geral de todas as coleções estatais de arte. A coleção de arte asiática do Louvre foi designada para o Museu Guimet, e foi incorporado o pavilhão do Jeu de Paume como Museu do Impressionismo. Com a saída do Ministério das Finanças do Pavilhão de Flora em 1961, tornou-se livre um grande espaço adicional, possibilitando a melhor acomodação de seções de pintura, desenhos e do Departamento de Escultura, instalando-se também laboratórios de restauro e oficinas. Os espaços liberados foram inaugurados oficialmente em 1968 com uma exposição de arte gótica da Europa.


A década de 70 foi marcada pela crescente necessidade de adequar os espaços de exposição aos novos conceitos museológicos e de se oferecer melhores instalações para os visitantes. Destarte, em 1981 o presidente François Mitterrand lançou o projeto do Grande Louvre, para devotar o palácio do Louvre em sua inteireza às artes. Como conseqüência, os escritórios do Ministério das Finanças que ainda permaneciam na Ala Richelieu foram deslocados para outros edifícios e finalmente o Louvre pôde dispor de todos os seus espaços. Foram iniciadas grandes renovações em todo o museu, cujo coroamento visível é a Grande Pirâmide que ora serve de entrada principal. A reestruturação do acervo, mais coleções do Museu Nacional de Arte Moderna, deram origem ao Museu d'Orsay.

Enquanto isso, as reformas continuavam no complexo principal em torno do Cour Carré, com a reforma da Ala Richelieu, a inauguração da Ala Sackler para antigüidades do Oriente Próximo e a abertura de grandes espaços novos para as antigüidades egípcias. Em 1996 foi anunciada a criação de um museu para a arte étnica, inaugurado em 2000 no Pavillon des Sessions com cerca de 100 peças representativas de suas culturas, e continua em curso a reacomodação de todo o Departamento de Arte Islâmica.

Grand Louvre e as Piramides
Ver artigo principal: Pirâmide do Louvre
O Palácio do Louvre é uma estrutura quase rectangular, composto pela praça do Cour Carrée e duas alas que envolvem o Cour Napoléon a norte e ao sul. No coração do complexo, está a Pirâmide do Louvre, acima do centro dos visitantes. O museu é dividido em três alas: a Ala Sully a leste, que contém a Cour Carrée e as partes mais antigas do Louvre, a Ala Richelieu ao norte, e da Ala Denon, que faz fronteira com o Rio Sena para o sul.[3]

Em 1983, o presidente francês François Mitterrand propôs um plano o Grand Louvre a fim de renovar o prédio e transferir o Ministério da Fazenda, permitindo que exibisse todo o edifício. O Arquiteto I. M. Pei foi premiado com o projeto e propôs uma pirâmide de vidro para o pátio central.[4] A pirâmide e seu átrio subterrâneo, foi inaugurado em 15 de Outubro de 1988. A segunda fase do plano do Grand Louvre, La Pyramide Inversée (A Pirâmide invertida), foi concluída em 1993. A partir de 2002, o atendimento dobrou desde a sua conclusão.[5]



As coleções
O acervo do Museu do Louvre possui mais de 380 mil itens e mantém em exibição permanente mais de 35 mil obras de arte, distribuídas em oito departamentos. A seção de pintura é a segunda maior do mundo, logo atrás da do Museu Hermitage, com quase 12 mil peças, sendo que delas 6 mil estão em exposição permanente. [6]

Antigüidades egípcias
Com mais de 50 mil objetos, que atestam o profundo interesse francês na área da egiptologia no século XIX, abrange os períodos desde o Antigo Egito até a arte copta, incluindo os períodos helenístico, romano e bizantino, e seu conjunto oferece uma ampla visão da cultura e sociedade egípcias em todos os seus aspectos. Este departamento foi criado em 1826 por decreto de Carlos X, impressionado pela atuação do egiptólogo Jean-François Champollion. O acervo cresceu com as remessas de achados arqueológicos das expedições francesas ao Egito.

Instalado na Ala Denon e em salas do Cour Carré, a coleção inclui arte, papiros, múmias, amuletos, vestuário, joalheria, instrumentos musicais, jogos e armas. Dentre as peças mais interessantes estão o famoso Escriba sentado, uma faca de pedra e marfim de Gebel-el Arak com punho decorado com cenas de guerra e de caça, a Estela do Rei Serpente, a cabeça do rei Djedefre, a estátua de Amenemhatankh, o Portador de oferendas, o busto de Akhenaton, e a estátua da deusa Hator, além de sarcófagos ricamente pintados, frascos para cosméticos e objetos votivos.

Antiguidades do Oriente Próximo
Este departamento se concentra na história e arte do Oriente Próximo desde as primeiras civilizações até antes da presença muçulmana na região, e seu desenvolvimento acompanhou o desenvolvimento da arqueologia oriental na França. As primeiras aquisições ocorreram por obra de Paul-Émile Botta, que em 1843 realizou uma expedição a Khorsabad, e seus achados deram origem ao Museu Assírio do Louvre. O conjunto foi ampliado com as peças encontradas por Claude Schaeffer em Ras-Shamra e por André Parrot em Mari, na Síria. A coleção é particularmente notável pelas peças da Suméria e da cidade de Akkad, como a Estela dos Abutres, as estátuas de Gudea e de Ebih-il, touros alados de Khorsabad, capitéis tauromorfos e painéis de azulejos esmaltados de Susa, e o Código de Hamurabi.




Arte grega, romana e etrusca
Sua coleção inclui peças de toda a região do Mediterrâneo desde o Neolítico até o Helenismo, passando pela civilização cicládica e a cultura cipriota. O conjunto começou a ser formado no tempo de Francisco I, e neste início se concentrava em esculturas. Mais tarde passou a receber vasos, cerâmicas, marfins, afrescos, mosaicos, vidros e bronzes de várias procedências. Pontos altos deste vasto departamento são a Dama de Auxerre, a Vitória de Samotrácia, a Vênus de Milo, os retratos de Agripa, Marcellus e Marco Aurélio, o Gladiador Borghese, o Apolo de Piombino, a Diana de Versalhes, o Hermes amarrando as sandálias, e o vaso Hércules e Anteu, de Eufrônio.

Arte islâmica

É o departamento mais recente do museu, mas sua coleção de mais de 6 mil itens cobre 13 séculos de história da arte islâmica da Europa, Ásia e África, entre vidros, metais, madeiras, tapetes, cerâmicas e miniaturas. Das suas peças se destacam como principais a Píxide de al-Mughira, uma caixa de marfim da Andaluzia; o Batistério de Saint-Louis, uma bacia de metal do período Mamluk; fragmentos do Shahnameh, um poema épico de Ferdowsi escrito em persa, e o Vaso Barberini, um vaso de metal da Síria.

Artes decorativas
Este departamento cobre desde a Idade Média até meados do século XIX, tendo sido criado como uma subseção do Departamento de Esculturas, e incorporando obras confiscadas na Revolução Francesa e outras oriundas da Basílica de Saint-Denis, o mausoléu da monarquia francesa. O departamento recebeu grandes acréscimos com a aquisição das coleções Durand, Revoil, Sauvageot e Campana.

As peças são exibidas no primeiro pavimento da Ala Richelieu e na Galeria de Apolo. Dentre seus itens mais preciosos estão a coroa de Luís XV, o cetro de Carlos V, o bronze Nesso e Djanira de Giambologna, o Vaso Suger, a tapeçaria A caça de Maximiliano, a coleção de vasos de Sèvres da Madame de Pompadour e a decoração dos apartamentos de Napoleão III.

Pintura
Sua grande coleção de pinturas enfatiza a arte francesa, que compõe cerca de dois terços do total, mas as seções de pintura do norte da Europa e da Itália são extremamente significativas. O conjunto começou a ser reunido por Francisco I, ainda no tempo em que o Louvre era uma fortaleza, com a aquisição de obras-primas de Rafael e Michelangelo, além de ter atraído Leonardo da Vinci para sua corte.

A reorganização das coleções do museu na década de 80 dividiu o conjunto de pinturas, e as peças produzidas após 1848 foram transferidas para o Museu d'Orsay. O restante permanece exposto na Ala Richelieu, no Cour Carré e na Ala Denon.

Da seção de pintura francesa são especialmente notáveis a Pietá de Avignon, de Enguerrand Quarton; o Retrato do Rei João, o Bom, de Jean Fouquet; o Retrato de Luís XIV de Hyacinthe Rigaud; a Coroação de Napoleão e O Juramento dos Horácios, de Jacques-Louis David, a Grande banhista de Ingres, e A Liberdade guiando o Povo, de Eugene Delacroix. Outros autores de nomeada presentes nesta seção são Nicolas Poussin, com grande número de peças em cinco salas exclusivas para sua produção, Georges de La Tour, Charles Le Brun, François Boucher, Antoine Watteau, Jean-Honoré Fragonard, Jean-Baptiste Chardin, Jean-Baptiste Greuze, Horace Vernet, Camille Corot, Jean-François Millet e Antoine-Jean Gros.

Do norte da Europa há um grande conjunto, e são célebres O astrônomo e A rendeira, de Vermeer, a Nau dos Insensatos, de Hieronymus Bosch, a Virgem do Chanceler Rolin de Jan van Eyck, A Ceia de Emaús e o Auto-retrato de Rembrandt, o grande ciclo de pinturas sobre Maria de Médici, de Rubens, além de peças de Rogier van der Weyden, Frans Post, Hans Holbein, o Jovem, Albrecht Dürer, Hans Memling, Antoon van Dyck, Quentin Massys, Pieter Brueghel o velho, Gérard David, Petrus Christus, Lucas van Leyden, Frans Hals, Meindert Hobbema e Gerard ter Borch.

Na pintura italiana se destacam o Calvário de Mantegna, As bodas de Caná de Paolo Veronese, a Mona Lisa e a Virgem das Rochas de Da Vinci, e a Morte da Virgem, de Caravaggio, e composições de Sandro Botticelli, Paolo Uccello, Domenico Ghirlandaio, Bernardino Luini, Fra Angelico, Giovanni Bellini, Lorenzo Lotto, Alesso Baldovinetti, Benozzo Gozzoli, Giotto, Cimabue, Pietro Perugino, Vittore Carpaccio, Ticiano, Jacopo Pontormo e Guido Reni. A pequena seção de pintura espanhola, embora menos importante, possui obras expressivas de El Greco, Velásquez, Ribera e Zurbarán.



Gravuras e desenhos
A origem deste grande departamento, com mais de 100 mil peças, está nas coleções reais. Foi sendo aumentado com aquisições e doações, e foi primeiro aberto ao público em 1797. Hoje está organizado nas seguintes seções: o antigo Cabinet du Roi e seus acréscimos posteriores; as gravuras em metal, e a grande doação de Edmond de Rothschild, com mais de 40 mil obras, hoje exibidas no Pavilhão de Flora. Em virtude da sensibilidade do papel à luz, apenas uma pequena parte desta coleção se encontra em exposição, e as peças são constantemente substituídas, mas consultas podem ser efetuadas mediante agendamento. Alguns autores importantes com obras em desenho ou gravura são Antoine Louis Barye, Dürer, Leonardo da Vinci, Rembrandt, Jacques-Louis David, Jean-Baptiste Chardin, Claude Gellée, Fragonard, Ingres, Delacroix e Charles Le Brun.

Esculturas
Concentrado nas peças de escultura criadas antes de 1850 que não se enquadram no departamento de antigüidades etruscas, gregas e romanas. Desde o início o Palácio do Louvre foi um depósito de obras escultóricas, mas a sistematização de suas peças só aconteceu depois de 1824. Seu acervo primitivo era na verdade reduzido a cerca de 100 peças, por causa da mudança da corte para Versalhes, e assim permaneceu até 1847, quando Léon Laborde assumiu o controle do departamento, ampliando a seção de arte medieval, mas nesta época as obras ainda faziam parte do Departamento de Antigüidades. Somente na administração de Louis Courajod, a partir de 1871, a representação de esculturas cresceu, especialmente em peças francesas. Com a criação do Museu d'Orsay parte do acervo recolhido até então foi transferida para lá, permanecendo no Louvre as criadas antes de 1850. Atualmente as peças francesas estão expostas na Ala Richelieu, e as estrageiras na Ala Denon.

O conjunto de escultura da França oferece um painel amplo e farto desta modalidade de arte desde a Idade Média até meados do século XIX, com uma grande seção de retratos e bustos oficiais. A Idade Média é ricamente ilustrada com fragmentos de arquitetura e estatuária sacra, em grande parte anônima, e onde a Tumba de Philippe Pot, o par representando Carlos V e Joana de Bourbon, a Tumba de Philippe Chabot, a Fonte de Diana, e o magnífico conjunto de Madonnas góticas são pontos altos.

Dos autores mais recentes e ilustres, cujos nomes se conhecem, se contam Jean Goujon, Simon Guillain, Jean-Louis Lemoyne, Germain Pilon, Antoine Coysevox, Guillaume Coustou, Nicolas Coustou, Étienne Maurice Falconet, Louis Petitot, Philippe-Laurent Roland, Pierre-Nicolas Beauvallet, Edmé Bouchardon, Jean Antoine Houdon, Augustin Pajou, Jean-Jacques Pradier, Jean-Baptiste Pigalle e François Rude. Dentre os estrangeiros são figuras principais Gregor Erhart, Antonio Canova, Giambologna, Adriaen de Vries, Francesco Laurana, Andrea e Giovanni della Robbia, Lorenzo Bartolini e Michelangelo.



Expansão
Em 2004 o Louvre iniciou um programa de expansão extra-muros, a fim de aliviar o excesso de obras depositadas no complexo principal, abrindo então alguns museus-satélite. As cidades escolhidas foram Lens, para onde está prevista a instalação de cerca de 600 obras, e em 2007 foi selecionada Abu-Dabi, nos Emirados Árabes, que deve inaugurar a sua sucursal do Louvre em 2012 em troca de 1,3 bilhões de dólares americanos, recebendo de 200 a 300 obras de arte do Louvre e de outros museus franceses em caráter rotativo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

DUBAI




Dubai (em árabe: دبيّ, Dubayy) é um dos sete emirados e a cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos (EAU) com aproximadamente 2.262.000 habitantes. Está localizado ao longo da costa sul do Golfo Pérsico na Península Arábica. O município muitas vezes é chamado de "Cidade de Dubai" para diferenciá-lo do emirado de mesmo nome. Dubai é conhecida mundialmente por ser extremamente moderna, "futurista" e com enormes arranha-céus e largas avenidas.

Existem registros da existência da cidade pelo menos 150 anos antes da formação dos EAU. Dubai divide funções jurídicas, políticas, militares e econômicas com os outros emirados, embora cada emirado tenha jurisdição sobre algumas funções, tais como a aplicação da lei civil e fornecimento e manutenção de instalações locais. Dubai tem a maior população e é o segundo maior emirado por área, depois de Abu Dhabi.[2] Dubai e Abu Dhabi são os únicos emirados que possuem poder de veto sobre questões de importância nacional na legislatura do país. Dubai tem sido governado pela dinastia Al Maktoum desde 1833. O atual governante de Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, é também o Primeiro-Ministro e Vice Presidente dos Emirados Árabes Unidos.

A receita do emirado é proveniente do turismo, comércio, setor imobiliário e serviços financeiros.[3] As receitas de petróleo e gás natural contribuem com menos de 6% (2006)[4] do PIB de US$ 37 bilhões da economia de Dubai (2005).[5] O setor imobiliário e da construção, por outro lado, contribuiu com 22,6% da economia em 2005, antes do atual boom da construção em larga escala.[6] Dubai tem atraído atenção através dos seus projetos imobiliários [7] e acontecimentos esportivos. Esta maior atenção, coincidindo com o seu aparecimento como um concentrador de negócios mundial, pôs em destaque questões dos direitos humanos relativas à sua mão-de-obra em grande parte externa.[8]

Etimologia
Em 1820, Dubai era conhecida como Al Wasl por historiadores britânicos. No entanto, poucos registros referentes à história cultural dos Emirados Árabes Unidos ou seus componentes existem devido à tradição oral da região em passar suas tradições através do folclore e de mitos. As origens linguísticas da palavra Dubai também estão em disputa, alguns acreditam que a palavra possa ter origem persa, enquanto alguns acreditam que o árabe é a raiz linguística da palavra. De acordo com Fedel Handhal, pesquisador da história e da cultura dos Emirados Árabes Unidos, a palavra Dubai pode ter vindo da palavra Daba (um derivado do Yadub), que significa rastejar, a palavra pode ser uma referência ao fluxo da enseada de Dubai para o interior.

História
Forte Al Fahidi, construído em 1799, é o mais antigo edifício existente em Dubai - agora parte do Museu de Dubai.[9]Muito pouco se sabe sobre a cultura pré-islâmica no sudeste da Península Arábica, se sabe apenas que muitas das cidades antigas na área eram centros de comércio entre os mundos Oriental e Ocidental. Os restos de um antigo manguezal, datados em 7.000 anos, foram descobertas durante a construção de linhas de esgoto perto de Dubai Internet City. A área foi coberta com areia cerca de 5.000 anos atrás, como o litoral recuou para o interior, tornando-se uma parte da costa atual da cidade.[10] Antes do Islã, o povo desta região adoravam Bajir (ou Bajar).[11] Os impérios Bizantino e Sassânida constituídas as grandes potências da época, com o Sassânidos controlando grande parte da região. Após a expansão do islamismo na região, o Califa Omíada, do mundo oriental islâmico, invadiu o sudeste da Arábia e expulsou os Sassânidos. As escavações realizadas pelo Museu de Dubai, na região de Al-Jumayra (Jumeirah) indicam a existência de diversos artefatos a partir do período omíada.[12] A mais antiga menção de Dubai é de 1095, no "Livro de Geografia" pelo geógrafo árabe-Al-Andalus Abu Abdullah al-Bakri. O mercador veneziano de pérolas Gaspero Balbi visitou a área em 1580 e mencionou Dubai (Dibei) para a sua indústria de pérolas.[12] Registros documentais da cidade de Dubai só existem depois de 1799.[12] Documented records of the town of Dubai exist only after 1799.[13]


Torres de vento em Dubai.No início do século XIX, o clã Al Abu Falasa (Casa da Al-Falasi) do clã Bani Yas estabeleceram-se em Dubai, que ficou a cargo de Abu Dhabi até 1833.[14] Em 8 de Janeiro de 1820, o xeque de Dubai e outros xeques na região assinaram o "Tratado de Paz Geral Marítima", com o governo britânico.[10] No entanto, em 1833, a dinastia Al Maktoum (também descendentes da Casa de Al-Falasi) da tribo Bani Yas deixou tirou o controle de Abu Dhabi e assumiu Dubai do clã Abu Fasala sem resistência.[14] Dubai ficou sob a protecção do Reino Unido, o "Acordo Exclusivo" de 1892, com o último acordo para proteger Dubai contra qualquer ataque vindo do Império Otomano.[14] Duas catástrofes atingiram a cidade durante os anos 1800. Primeiro, em 1841, uma epidemia de varíola irromperam na localidade de Bur Dubai, obrigando a população a deslocar para leste de Deira. Então, em 1894, um grande incêndio em Deira queimou a maioria das casas.[15] No entanto, a localização geográfica da cidade continuou a atrair comerciantes e mercadores de toda a região. O emirado de Dubai, estava ansioso para atrair os comerciantes estrangeiros e reduziu o comércio entre parênteses fiscais, o que atraiu comerciantes de Sharjah e Lengeh Bandar, que eram os principais centros comerciais da região na época.[15][16]

A proximidade geográfica de Dubai com a Índia tornou a cidade um local importante. A cidade de Dubai foi um importante porto de escala para os comerciantes estrangeiros, principalmente os vindos da Índia, muitos dos quais acabaram por se instalar na cidade. Dubai era conhecida por suas exportações de pérolas até os anos 1930. No entanto, a indústria de pérolas de Dubai foi irremediavelmente danificada pelos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, pela Grande Depressão na década de 1920. Consequentemente, a cidade assistiu a uma migração em massa de pessoas para outras partes do Golfo Pérsico.[10] Desde a sua criação, Dubai eentrava constantemente em desacordo com Abu Dhabi. Em 1947, uma disputa de fronteira entre Dubai e Abu Dhabi, no setor norte de sua fronteira comum, gerou uma guerra entre os dois estados.[17] A arbitragem feita pelos ingleses e a criação de uma fronteira do leste ao sul da costa de Ras hasian resultou em uma cessação temporária das hostilidades.[18]


Dubai, na década de 1960.No entanto, as disputas fronteiriças entre os emirados continuaram mesmo após a formação dos Emirados Árabes Unidos, foi somente em 1979 que um compromisso formal foi alcançado, o que terminou com as hostilidades e com as disputas fronteiriças entre os dois estados.[19] Eletricidade, serviços de telefone e um aeroporto foram criados em Dubai em 1950, quando os ingleses moveram seus escritórios administrativos locais de Sharjah para Dubai.[20] Em 1966, a cidade se juntou ao país recém-independente do Catar para criar uma nova unidade monetária, o Riyal qatarí, após a desvalorização da Rupia do Golfo Pérsico.[13] No mesmo ano, foi descoberto petróleo em Dubai, após o qual a cidade de concessões para companhias internacionais de petróleo. A descoberta do petróleo levou a um afluxo maciço de trabalhadores estrangeiros, sobretudo indianos e paquistaneses. Como resultado, a população da cidade entre 1968 e 1975 cresceu mais de 300%, segundo algumas estimativas.[21]

Em 2 de dezembro de 1971 Dubai, juntamente com Abu Dhabi e outros cinco emirados, formaram os Emirados Árabes Unidos após o ex-protetorado-britânico saiu do Golfo Pérsico em 1971.[22] Em 1973, Dubai se juntou a outros emirados para adotar uma moeda única: os Dirham dos Emirados. Na década de 1970, Dubai continuou a crescer a partir de receitas geradas com o petróleo e com o comércio, nesse período a cidade viu um grande afluxo de imigrantes libaneses que fugiam da Guerra Civil Libanesa.[23] O porto de Jebel Ali (supostamente o maior porto do mundo construído pelo homem) foi estabelecido em 1979. Jafza (Zona Franca de Jebel Ali) foi construída em torno do porto em 1985 para proporcionar às empresas estrangeiras de importação irrestrita de trabalho e capital de exportação.[24]

A Guerra do Golfo Pérsico, de 1990, teve um enorme impacto sobre a cidade. Economicamente, os bancos de Dubai experimentaram uma retirada maciça de fundos devido à incerteza das condições políticas na região. Durante o decorrer da década de 1990, no entanto, muitas comunidades de comércio exterior - primeiro do Kuwait, durante a Guerra do Golfo Pérsico e, posteriormente, do Bahrein, durante o levante xiita, mudaram seus negócios para Dubai.[16] Dubai foi uma base de reabastecimento para as forças aliadas na Zona Franca de Jebel Ali, durante a Guerra do Golfo Pérsico e, novamente, durante a Invasão do Iraque em 2003. Os grandes aumentos no preço do petróleo após a Guerra do Golfo Pérsico incentivou Dubai a continuar a centrar-se no livre comércio e no turismo.[25] O sucesso da Zona Franca de Jebel Ali permitiu que a cidade pudesse replicar seu modelo de desenvolvimento para novas zonas francas, incluindo Dubai Internet City, Dubai Media City e Dubai Maritime City. A construção do Burj Al Arab, o hotel autônomo mais alto do mundo, bem como a criação de novos empreendimentos residenciais, foram usados pelo mercado de Dubai, para fins turísticos. Desde 2002, a cidade tem visto um grande aumento do investimento imobiliário privado na recriação skyline de Dubai,[25] com projetos como o Palm Islands, The World, o Burj Dubai e o The Dynamic Tower. No entanto, o crescimento econômico robusto nos últimos anos tem sido acompanhado por aumento das taxas de inflação (de 11,2% em 2007, quando medido contra o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que é atribuído, em parte devido à quase duplicação do consumo comercial e residencial de renda, resultando em uma substancial aumento do custo de vida para os residentes da cidade.[26]

Geografia

Mapa de Dubai.Dubai está situada na costa do Golfo Pérsico, nos Emirados Árabes Unidos e esta praticamente ao nível do mar (16 mmetros acima). O emirado de Dubai divide suas fronteiras com Abu Dhabi, no sul, Sharjah, no nordeste e com o Sultanato de Omã no sudeste. Hatta, um enclave menor do emirado, é cercado em três lados por Omã e pelos Emirados de Ajman (no oeste) e Ras Al Khaimah (no norte). As fronteiras do Golfo Pérsico a costa ocidental do emirado. Dubai está posicionada a 25° 26′ N 55° 30′ Ee ocupa uma área de 4.114 quilômetros quadrados.

Dubai situa-se dentro do deserto da Arábia. No entanto, a topografia de Dubai é significativamente diferente da topografia encontrada na porção sul dos EAU, visto que grande parte da paisagem de Dubai é destacada por padrões de deserto de areia e cascalho, enquanto os desertos dominam grande parte da região sul do país.[27] A areia é composta principalmente de conchas e corais esmagados. A leste da cidade, o sal em crosta de planícies costeiras, conhecido como sabkha, dá lugar a ums linha de dunas. Mais ao leste, as dunas são maiores e vermelhas, graças ao óxido de ferro.[21] A areia do deserto dá lugar às Montanhas Ocidentais Hajar, que correm ao lado do Dubai na fronteira com Omã em Hatta. A cadeia Ocidental Hajar tem uma paisagem árida, irregular e quebrada, cujas montanhas chegam a cerca de 1.300 metros em alguns lugares.


Imagem de satélite mostrando parte de Dubai em 5 de fevereiro de 2009.Dubai não tem nenhum rio ou oásis natural, no entanto, possui um estuário natural, a Enseada de Dubai, que foi dragada para torná-la suficientemente profunda para que navios de grande porte possam atravessá-la. Um vasto mar de dunas de areia cobre grande parte do sul de Dubai e, eventualmente, leva para o deserto, conhecido como Rub' al-Khali. Sísmicamente, Dubai está situada numa zona muito estável - a falha sísmica mais próxima, a Falha Zargos, está a 120 km dos EAU e é improvável que tenha qualquer impacto sísmico em Dubai. [35] Os especialistas também prevêem que a possibilidade de um tsunami na região também é mínima, porque as águas do Golfo Pérsico não são profundas o suficiente para desencadear um tsunami.

O deserto de areia que rodeiam a cidade suporta gramíneas selvagens e, ocasionalmente, tamareiras. No deserto, jacintos crescem nas planícies sabkha, à leste da cidade, enquanto a acácias e árvores ghaf crescem nas planícies próximas das Montanhas Ocidentais Al Hajar. Várias árvores autóctones, como as tamareiras e neem, bem como as árvores importadas, como o eucalipto crescem em parques naturais de Dubai. Abetarda, hiena listradas, caracal, a raposa do deserto, falcão e Órix-da-Arábia são espécies comuns no deserto de Dubai. Dubai está no caminho de migração de aves entre a Europa, Ásia e África, e mais de 320 espécies de aves migratórias passam pelo emirado, na Primavera e no Outono. As águas de Dubai são o lar de mais de 300 espécies de peixes, incluindo a garoupa.


Imagem de satélite da área metropolitana de Dubai-Sharjah-Ajman à noite.O Estuário de Dubai está localizado do nordeste ao sudoeste da cidade. A seção leste da cidade onde está localidade de Deira, é ladeada pelo Emirado de Sharjah no leste e pela cidade de Al Aweer no sul. O Aeroporto Internacional de Dubai está localizado no sul da cidade, enquanto a Palm Deira está localizada no norte de Dubai, no Golfo Pérsico. Grande parte do boom imobiliário de Dubai, está concentrada na região oeste do Estuário de Dubai, nas proximidades costeiras de Jumeirah. Porto Rashid, Jebel Ali, Burj Al Arab, a Palm Jumeirah e as zona francas, tais como Business Bay estão todos localizados nesta região da cidade. Cinco eixos principais - E 11 (Sheikh Zayed Road), E 311 (Emirates Road), E 44 (Dubai-Hatta Highway), E 77 (Dubai-Al Habab Road) e E 66 (Oud Metha Road) - executado através de Dubai, que ligam a cidade a outras cidades e emirados. Além disso, várias importantes rotas de troca da cidade, como a D 89 (Al Maktoum Road / Estrada do Aeroporto), D 85 (Baniyas Road), D 75 (Sheikh Rashid Road), D 73 (Al Dhiyafa Road), D 94 (Jumeirah Road ) e a D 92 (Al Khaleej / Al Wasl Road) ligam as várias localidades da cidade. As seções a leste e oeste da cidade são ligados pela pontes Al Maktoum, Garhoud Al, Business Bay Bridge Crossing, pela Ponte Flutuante de Dubai e pelo túnel Al Shindagha.

Demografia

A cidade de Dubai realizou seu primeiro censo em 1968. Todos os números da população nesta tabela antes de 1968 são estimativas obtidas a partir de várias fontes.
De acordo com o censo realizado pelo Centro de Estatísticas de Dubai, a população do emirado era de 1.422.000 de habitantes em 2006, sendo 1.073.000 homens e 349.000 mulheres.[35]

A região abrange 1.287,4 km². A densidade populacional é 408.18/km² mais de oito vezes maior do que todo o país. Dubai é a segunda cidade mais cara da região, e 20ª cidade mais cara do mundo.[36]

Em 1998, 17% da população do emirado era composta por pessoas nascidas nos EAU. Aproximadamente 85% da população de expatriados (e 71% da população total do emirado) eram asiáticos, principalmente indianos (51%), paquistaneses (15%), bangladeshiano (10%) e outros (10%).[37] Um quarto da população no entanto tem vestígios em suas origens de ancestrais iranianos.[38] Além disso, 16% da população (ou 288.000 pessoas) vivem em habitações coletivas de trabalho e não foram identificados por etnia ou nacionalidade, apesar de terem sido considerados como asiáticos.[39] A idade mediana no emirado foi de cerca de 27 anos. A taxa de natalidade, em de 2005, foi de 13,6%, enquanto a taxa de mortalidade foi de cerca de 1%.[40]

Embora o árabe seja a língua oficial de Dubai, o urdu, o persa, o hindi, o malaiala, o bengali, o tamil, o tagalo, o chinês e outros idiomas são também falados em Dubai. O inglês é a língua franca da cidade e é muito falada pelos moradores.

O Artigo 7º da Constituição Provisória dos EAU declara o Islã como a religião oficial do país. O governo subsidia cerca de 95% das mesquitas e emprega todos os imames, aproximadamente 5% das mesquitas são totalmente privadas, e várias grandes mesquitas recebem grandes doações privadas.[41]

Dubai tem também grandes grupos de cristãos, hindus, sikhs, budistas e outras comunidades religiosas que residem na cidade. Grupos não-muçulmanos podem possuir suas próprias casas de culto, onde eles podem praticar sua religião livremente, solicitando uma concessão de terras e permissão para construir um templo. Os grupos que não têm os seus próprios edifícios devem utilizar as instalações de outras organizações religiosas ou de culto em casas particulares.[42] Grupos não-muçulmanos estão autorizados a anunciar abertamente funções de grupo, no entanto, proselitismo ou distribuição de literatura religiosa é estritamente proibida, sob pena do procedimento penal, prisão e deportação para se engajar em conduta ofensiva ao Islã.[41]

Política
Cidades irmãs
Dubai possui 31 cidades-irmãs:[43]

Monterrey, México
Paris, França
Gold Coast, Austrália
Hong Kong, República Popular da China
Guangzhou, República Popular da China
Shanghai, República Popular da China
Frankfurt, Alemanha
Osaka, Japão
Gandhinagar, Índia
Kish, Irã
Tehran, Irã
Beirut, Líbano
Barcelona, Espanha[44][45]
Granada, Espanha[46]
Trípoli, Líbia
Vancouver, Canadá

Prefeitura de Dubai. Dundee, Reino Unido
Moscou, Rússia
Damasco, Síria
Genebra, Suíça
Istambul, Turquia
Bagdá, Iraque
Casablanca, Marrocos
Nova Iorque, Estados Unidos
Phoenix, Estados Unidos[47]
Los Angeles, Estados Unidos[48]
Detroit, Estados Unidos[49]
Busan, Coreia do Sul[50]
Cidade do Kuwait, Kuwait
Hyderabad, Índia
Brisbane, Austrália


Economia
O Burj Khalifa, a maior estrutura feita pelo homem no mundo.O Produto Interno Bruto (PIB) de Dubai em 2005 foi US$ 37 bilhões.[5] Embora a economia de Dubai tenha sido construída através da indústria do petróleo,[51] as receitas de petróleo e gás natural representam atualmente menos de 6% das receitas do emirado.[4] Estima-se que Dubai produz 240.000 barris de petróleo por dia e quantidades substanciais de gás em campos. O emirado possui 2% das reservas de gás dos EAU. As reservas de petróleo de Dubai diminuíram significativamente e estima-se que se esgotarão em 20 anos.[52] Os setores Imobiliário e de Construção (22,6%),[6] Comércio (16%), entreposto (15%) e de serviços financeiros (11%) são os maiores contribuintes para a economia de Dubai.[53]

Um levantamento da City Mayors classificou Dubai com a 44ª melhor cidade financeira do planeta,[54] enquanto outro relatório da City Mayors indicou que Dubai é a 33ª cidade mais rica do mundo, em termos de paridade do poder de compra (PPC).[55]

Entre os principais destinos de re-exportação de Dubai incluem-se o Irã (US$ 790 milhões), Índia (US$ 204 milhões) e Arábia Saudita (E.U. 194 milhões dólares). As principais fontes de importação do emirado são Japão (US$ 1,5 bilhão), China (US$ 1,4 bilhão) e os Estados Unidos (US$ 1,4 bilhão).[3]

Historicamente, Dubai e o seu irmão gêmeo, Deira (independente da cidade de Dubai na época), tornaram-se importantes portos de escala para os fabricantes ocidentais. A maioria dos novos bancos e centros financeiros da cidade estão localizados na área portuária. Dubai manteve a sua importância como uma rota de comércio nos anos 1970 e 1980. Dubai possui livre-cambismo em ouro e até a década de 1990, foi um importante centro de "comércio de contrabando ativo"[56] de lingotes de ouro a Índia, onde a importação de ouro era restrita.


A Dubai Marina, um bairro residencial, a segunda maior marina artificial do planeta.O Porto Jebel Ali de Dubai, construído na década de 1970, é o maior porto artificial do mundo e estava em oitavo lugar a nível mundial no volume de tráfego de containers.[57] Dubai também está se desenvolvendo como como um centro para indústrias de serviços, como a TI e finanças, com a criação de zonas francas específicas em toda a cidade. A Dubai Internet City, combinada com a Dubai Media City, como parte de TECOM (Dubai Technology, Electronic Commerce and Media Free Zone Authority) é um enclave, como TI, cujos membros incluem empresas como a EMC Corporation, Oracle Corporation, Microsoft e IBM, e as organizações de mídia como o MBC, CNN, BBC, Reuters, Sky News e AP.

A Bolsa de Valores de Dubai (Dubai Financial Market - DFM) foi criada em Março de 2000 como um mercado secundário para negociação de títulos e obrigações, tanto locais como estrangeiros. No quarto trimestre de 2006, o seu volume de negócios situou-se em cerca de 400 bilhões de ações, valor de US$ 95 bilhões no total. A DFM tinha uma capitalização bolsista de cerca de US$ 87 bilião.[40]


Skyline de Dubai visto do Parque Zabeel.A decisão do Governo de sair de uma economia baseada no comércio, mas dependente do petróleo, para uma baseada nos serviços e orientada para o turismo fez do setor imobiliário mais valioso, resultando no apreço de propriedade no período 2004-2006. A avaliação de longo prazo do mercado de propriedades de Dubai, porém, mostrou depreciação; algumas propriedades perderam 64% do seu valor de 2001 a novembro de 2008.[58] A grande escala de projetos de desenvolvimento imobiliário levaram à construção de alguns dos mais altos arranha-céus e inovadores projetos do mundo, como o Emirates Towers, o Burj Dubai, o Palm Islands e o mais caro e segundo mais alto hotel, o Burj Al Arab.[59]

O mercado imobiliário de Dubai tem experimentado uma grande recessão entre 2008/2009, como resultado do clima de abrandamento econômico.[60] O conselho do xeque Mohammed al Abbar, disse à imprensa internacional em dezembro de 2008, que tinha créditos de Emaar US$ 70 bilhões e o Estado de Dubai possuia US$ 10 bilhões adicionais, mantendo cerca de 350 bilhões em ativos imobiliários. Ao início de 2009, a situação piorou com a crise econômica mundial, tendo um pedágio pesado em valores imobiliários, construção e emprego.[61]

Em fevereiro de 2009 a dívida externa de Dubai foi estimada em aproximadamente US$ 100 bilhões, deixando a cada 250.000 cidadãos do emirado dos EAU responsável por US$ 400.000 dólares em dívida externa.[62]

Zonas francas e centros financeiros

Prédio da Sony Ericsson na Dubai Internet City.Zona Franca de Jebel Ali - Zona econômica que contém facilidades e incentivos fiscais de estoque e distribuição de mercadorias.
Dubai Maritime City
Dubai Internet City - Parque tecnológico construido para atrair empresas de alta tecnologia.
Dubai Media City - Zona projetado para sediar as principais empresas de mídia e comunicação do mundo.
Dubai Studio City - Zona semelhante ao Dubai Media City, sendo que nesse local são para empresas do cinema, a intenção é criar um parque cinematográfico aos moldes do de Hollywood.
Dubai Knowledge Village - Local projetado para a instalação de escolas, universidades e centros de treinamento para habitantes locais e estrangeiros.
Dubai Healthcare City - Parque projetado para hospedar hospitais, empresas farmacêuticas, e laboratórios de pesquisa na área de saúde.
Dubai International Financial Centre - Centro financeiro projetado para abrigar grandes bancos e empresas de valores.

Infra-estrutura
Transportes

O Metrô de Dubai no dia de sua inauguração.O transporte em Dubai é controlado pela Autoridade de Estradas e Transportes. A rede de transporte pública enfrenta enormes congestionamentos e problemas de confiabilidade que um grande programa de investimento está tentando resolver, incluindo mais de mil AED70 bilhões em melhorias previstas para a conclusão, até 2020, quando a população da cidade está projetada para exceder 3,5 milhões de habitantes.[63]

O Aeroporto Internacional de Dubai (IATA: DXB), o hub da companhia aérea Emirates Airlines, dos serviços da cidade de Dubai e outros emirados do país. O Aeroporto Internacional de Dubai serviu um total de mais de 37 milhões de passageiros e movimentou mais de 1,8 milhões de toneladas de carga em 2008.[64] Em 2008, o Aeroporto Internacional de Dubai foi o 20º aeroporto mais movimentado do mundo, com mais de 35 milhões de passageiros internacionais, e o 6º aeroporto internacional mais movimentado do mundo, em termos de tráfego internacional de passageiros. Além de ser um importante centro do tráfego de passageiros, o aeroporto é um dos mais movimentados de carga do mundo; a manipulação de 1,824 milhões de toneladas de carga em 2008, tornou o aeroporto o 11º mais movimentado do mundo, um aumento de 9,4% em relação a 2007. A Emirates Airlines é a companhia aérea nacional de Dubai, e opera internacionalmente para 101 destinos em 61 países em 6 continentes.


Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Dubai. O Terminal é de uso exclusivo da Emirates Airlines.O desenvolvimento do Aeroporto Internacional Al Maktoum, atualmente em construção, em Jebel Ali, foi anunciado em 2004. A primeira fase está prevista para ser concluída em 2010, e uma vez em funcionamento o novo aeroporto vai acolher companhias aéreas estrangeiras e de outros emirados com um terminal exclusivo para eles.[65]

A Administração Pública Sistema de Transportes em Dubai é gerido pela Autoridade de Estradas e Transporte (AET). O sistema de barramento de serviços possui 140 rotas e transportou cerca de 109,5 milhões de pessoas em 2008. No final de 2010, vai haver 2.100 ônibus em serviço em toda a cidade.[66] A Autoridade de Estradas e Transporte anunciou a construção de 500 pontos de ônibus com ar condicionado (C/A) e tem plano para 1000 a mais em toda o emirado em uma movimentação para incentivar a utilização de ônibus públicos.

O projeto de 3,89 bilhões dólares do Metrô de Dubai está em construção para o emirado. O sistema de metro entrou parcialmente em operação em Setembro de 2009 e deverá estar plenamente operacional em 2012. O metrô será constituído por quatro linhas: a Linha Verde do Al Rashidiya para o centro principal da cidade e a Linha Vermelha a partir do aeroporto de Jebel Ali. Ele também tem uma azul e uma linha roxa. O metro de Dubai (Linhas Verde e Azul) terá 70 km de trilhos e 43 estações, 37 acima do solo e 10 no subsolo.[67] O metrô de Dubai é a primeira rede de comboios urbanos da Península Arábica.[68] Todos os trens e estações possuem ar condicionado com portas na extremidade da plataforma para tornar isso possível.


Abras é o modo tradicional de transporte entre Deira e Bur Dubai.O monotrilho em Palm Jumeirah foi inaugurado em 2009. É o primeiro monotrilho a ser construído na região. Dois carros elétricos são esperados para serem construído em Dubai em 2011. O primeiro é o Downtown Burj Dubai Tram System e o segundo é o Al Sufouh Tram. O Downtown Burj Dubai Tram System terá 4,6 km e foi planejado para atender a área ao redor do Burj Dubai, o segundo será executado ao longo de 14,5 quilômetros pela Sheikh Zayed Road em Dubai Marina para o Burj Al Arab e o Mall of the Emirates.

Um dos métodos mais tradicionais de transporte entre Bur Dubai e Deira é através de abras, pequenos barcos que os passageiros usam para atravessar o Estuário de Dubai, entre as estações abra em Bastakiya e Baniyas Road.

Existem dois principais portos comerciais em Dubai, o Porto Rashid e o Porto Jebel Ali. O Porto de Jebel Ali é o 7º porto mais movimentado do mundo. Jebel Ali é o maior porto do mundo feito pelo homem e o maior do Oriente Médio.

O governo tem investido fortemente na infra-estrutura rodoviária de Dubai, embora este investimento não tenha acompanhado o aumento do número de veículos. Isso, juntamente com o fenômeno do tráfego induzido, tem levado a crescentes problemas de congestionamento.[69]

Dubai tem também um extenso sistema de táxi, de longe o meio de transporte público mais utilizado no emirado. Há tanto empresas públicas e privadas de táxi. Existem cerca de 7.500 táxis que operando no emirado.

Cultura
Arquitetura

Mapa destacando os principais projetos que serão construídos ou que já estão concluídos em Dubai. Entre eles estão as Palm Islands (Palm Jebel Ali, Palm Jumeirah, Palm Deira), The World, The Universe e Dubai Waterfront.Dubai é famosa por suas obras grandiosas e de forte apelo turístico. Dentre elas, podemos destacar as Palm Islands, o arquipélago The World, o hotel Burj Al Arab e o edifício Burj Dubai.

Palm Islands
Palm Islands são três arquipélagos artificiais no formato de palmeiras. Um audacioso projeto construído pela Al Nakheel Properties, é um grande ponto atrativo da cidade e tem como objetivo aumentar o turismo no Dubai. Mesmo sendo artificial, foram usados apenas materias naturais (areia e pedras) para a construção do arquipélago, em vez de concreto e aço, mais aconselhados para o tipo de estrutura. Uma segunda ilha artificial com formato de palmeira está em construção, já em estágio avançado. É prevista a construção de uma terceira ilha artificial no formato de palmeira. Em cada braço desta palmeira, estão sendo construídos elegantes hotéis e grandes residências. Moradores podem ter o direito de atracar sua lancha na frente de algumas construções[carece de fontes?].

The World
Vista da Madinat Jumeirah com o Burj Al Arab ao fundo, um dos principais simbolos de Dubai.
Panorama urbano de Dubai em 31 de dezembro de 2009.The World é um arquipélago artificial, ainda em construção, que forma o desenho do mapa-múndi. Estas ilhas estão sendo vendidas com valores entre 6,2 a 36,7 milhões de dólares. A maior parte das ilhas já foi comprada por investidores de todo o mundo. Por exemplo, o casal de atores Angelina Jolie e Brad Pitt já comprou a ilha que representa a Etiópia, e um hotel deve ficar com o conjunto formado por várias ilhas que formam o desenho da Europa[carece de fontes?].

Burj Al Arab
O Burj Al Arab é um dos hotéis mais luxuosos de Dubai. Foi construído sobre uma ilha artificial, com 321 metros de altura, sendo a 2ª estrutura mais alta usada como hotel, após perder o título para a Rose Tower, edificada também em Dubai. O edifício imita a vela de um barco, e hoje é um dos principais cartões postais da cidade e do país.

Burj Khalifa
O Burj Khalifa (em árabe: برج خليفة; "Torre de Khalifa") - anteriormente conhecido como Burj Dubai (em árabe: برج دبي; Torre de Dubai) - é o arranha-céu mais alto do mundo. Foi inaugurado no dia 4 de janeiro de 2010. Tem uma altura de 828 m , o que o torna na estrutura mais alta do mundo: ao atingir sua altura máxima, o Burj Khalifa superou não somente o maior arranha-céu do mundo, Taipei 101, mas também a estrutura não suspensa por cabos em terra firme mais alta do mundo, a Torre CN, e a estrutura mais alta do mundo, a Torre da KVLY-TV.[70]

Demorou mais de cinco anos a construir. Custou US$ 1,5 bilhões, segundo seus construtores,[71] e pode ser visto a cerca de 100 km de distância.

O Burj Khalifa foi desenhado por Skidmore, Owings, & Merrill, que também desenharam as Sears Tower em Chicago e a Freedom Tower em Nova Iorque, entre outros famosos edifícios. O interior será decorado por Giorgio Armani. Um Hotel Armani (o primeiro deste tipo) ocupa os primeiros 37 andares. Do 45º ao 108º andar há cerca de 700 apartamentos privados em 64 andares (que, segundo o responsável, foram vendidos em oito horas). As corporações e as suítes completam a maior parte dos andares restantes. Também tem o elevador mais rápido, a 18 m/s (65 km/h, 40 mph). Atualmente, o elevador mais rápido do mundo encontra-se no Taipei 101, Taipei, Taiwan, a 16,83 m/s (60,6 km/h, 37,5 mph).

O Burj Khalifa deverá incluir 30 mil residências, nove hotéis, dezenove torres residenciais e doze hectares ao seu redor. A torre vai cobre uma área de 334000 m² de desenvolvimento

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DESERTO DO SAARA




O Deserto do Saara (em árabe: الصحراء الكبرى, aṣ-ṣaḥrā´ al-koubra; em português, Sara, Saara ou Sahara) é o maior deserto quente do mundo, e oficialmente é o segundo maior deserto da Terra, logo após da Antártica, pois esta última também é um deserto.[1] Localizado no Norte da África, tem uma área total de 9 065 000 km², sendo sua área equiparável à da Europa (10 400 000 km²) e à área dos Estados Unidos, e maior que a área de muitos países continentais tais como: Brasil, Austrália e Índia. O nome Saara é uma transliteração da palavra árabe صحراء, que por sua vez é a tradução da palavra tuaregue tenere (deserto). O deserto do Saara compreende parte dos seguintes países e territórios: Argélia, Burkina Faso, Chade, Egipto, Líbia, Marrocos, Saara Ocidental, Mauritânia, Mali, Níger, Senegal, Sudão, e Tunísia. Vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas na área do Saara.[2]

História

Deserto do Saara.Os seres humanos vivem na extremidade do deserto há quase 500 mil anos. Durante a última glaciação, o deserto do Saara foi mais úmido (como o Leste africano) do que é agora, e já possuiu densas florestas tropicais. Seu clima era tão diferente que recentes estudos revelaram que o Rio Nilo corria antigamente para o Oceano Atlântico em vez de desaguar no Mar Mediterrâneo. Uma mudança de poucos graus [3] no eixo de rotação terrestre causou, há cerca de 10 mil anos, uma grande transformação climática gerando o Saara. Essa alteração, segundo alguns cientistas, gerou as condições necessárias à formação da civilização egípcia quando obrigou pessoas que já haviam desenvolvido formas de vida sedentárias (agricultura e pastoreio) e tradições históricas (civilização) a se deslocarem para o leito atual do Rio Nilo. O deserto é rico em história, e diversos fósseis de dinossauros e outros animais bem como resquícios de diversas civilizações já foram encontrados ali. O Saara moderno geralmente é isento de vegetação, exceto no vale do Nilo, em poucos oásis, e em algumas montanhas nele dispersas.[2]

Geografia

Pedras naturais na Líbia.O deserto do Saara, no qual se distinguem dois trechos, um dominado por dunas arenosas e denominado Erg, e outro bastante pedregoso denominado Hamadas, compreende parte dos seguintes países e territórios: Argélia, Burkina Faso, Chade, Egipto, Líbia, Marrocos, Saara Ocidental, Mauritânia, Mali, Níger, Senegal, Sudão, e Tunísia. Atualmente vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas na área do Saara.

A área do deserto também inclui parte das bacias do Rio Nilo e do Rio Senegal, as montanhas Aïr, Hoggar, Atlas e o Vulcão Tibesti, pequenos desertos como o Deserto da Líbia, Ténéré, Depressão do Qatar e Erg Chebbi, o lago Chade, e os oásis Bahariya, Ghardaïa e Timimoun.[2] As fronteiras do Saara são o Oceano Atlântico a oeste, a cordilheira do Atlas e o Mar Mediterrâneo a norte, o Mar Vermelho a leste e o vale do Rio Níger a sul. O Saara divide o continente africano em duas partes, a África do Norte e Sub-Saariana. A fronteira saariana ao sul é marcada por uma faixa semi-árida de savana chamada Sahel, e ao sul de Sahel encontra-se o Sudão.[2]

De acordo com o critério da botânica Cap-Rey, a rigião que se denomina Saara é limitada: [4][5] ao norte, pela linha determinada pelas condições climáticas que permitem a maturidade da Phoenix dactylifera; ao sul e a sudeste pela Cornucala monacantha (a Chenopodiaceae); e a nordeste pela Cencrus biflorus (a Poaceae na região do Sahel).

De acordo com o critétio do clima, o Saara é tem fronteiras onde ,[6] ao norte, não ocorrem precipitações maiores que 100 milímetros anuais de chuva, e ao sul por um limite de 150 milímetros de precipitação anual (que se mantem de um ano a outro).

História do clima

Um oásis nas montanhas Hoggar.O clima da região que compreende hoje o Saara sofreu enormes variações, indo várias vezes do seco ao úmido durante os últimos cem mil anos.[7] . Durante a última Era do Gelo, o Saara era maior do que é hoje, estendendo para o sul além de seus limites atuais.[8] O fim da idade de gelo trouxe épocas melhores ao Saara no período compreendido entre aproximadamente 8000 a.C. a 6000 a.C., isto devido a área de baixa pressão que acompanhou o desmoronar do manto de gelo ao norte.[9]

Quando a Era do Gelo se foi, a parte norte do Saara secou. Entretanto, não muito tempo depois, monções trouxeram chuva ao Saara, neutralizando a tendência de desertificação do Saara na parte sul.

Sabe-se que ar sobre o planeta Terra move-se por convecção de forma a redestribuir a energia pelo planeta, e ascensões de ar, puxando no ar úmido do oceano, causam geralmente chuvas em determinadas regiões. Paradoxalmente, o Saara estava mais úmido quando recebeu mais insolação no verão. Por sua vez, todas as mudanças na insolação são causadas por mudanças na geofísica da Terra..[10]

Ao redor de 2500 a.C., as monções recuaram para o sul onde está hoje,[11] que conduziram a desertificação do Saara. O deserto está atualmente árido na forma que o conhecemos hoje há aproximadamente 13.000 anos. Estas circunstâncias são responsáveis para o que foi chamado de Teoria da Bomba do Saara.

O Saara é conhecido por ter um dos climas mais áridos do mundo. O vento que vem do nordeste, prevalece e pode por várias vezes fazer com que a areia dê forma a "furacões". As precipitações, muito raras mas não desconhecidas, acontecem ocasionalmente nas zonas de beira-mar ao norte e ao sul, e o deserto recebe aproximadamente 25 cm de chuva em um ano. As chuvas acontecem muito raramente, geralmente torrenciais após os longos períodos secos, que podem durar anos.

Fauna

A sombra de um camelo viajando pelo Deserto do Saara na Tunísia.Dromedários e cabras são os animais predominantes no Saara. Por causa das suas habilidades de sobrevivência, da resistência e da velocidade, um dromedário é o animal favorito dos nômades. O Leiurus quinquestriatus é um tipo de escorpião do Saara que pode alcançar 10 cm. Ele possui o agitoxina e scyllatoxina, que são venenos tóxicos que levam a morte na maioria dos casos. O varano, cujo nome científico é varanidae, é um tipo de lagarto que se encontra facilmente. Cerastes é um tipo de cobra que tem em média 50 cm no comprimento que tem proeminências que lembram um par de chifres. Muito ativo à noite, encontra-se geralmente enterrada na areia com somente seus olhos visíveis. As mordidas destas cobras são dolorosas, mas raramente fatais. Há também o Feneco, um omnívoro. Há o Dassie, cujo primeiro fóssil encontrado remonta a 40 milhões de ano atrás. O avestruz é nativo da África, mas tornaram-se raros porque foram migrados para outros países. O adax é um grande antílope branco, e é hoje uma espécie ameaçada. Muito adaptado ao deserto, pode sobreviver por até um ano sem água. A chita do Saara vive no Niger, Mali e Chad.[12]

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Bora Bora






Bora Bora é uma ilha do grupo das Ilhas de Sotavento do arquipélago de Sociedade na Polinésia Francesa, um território ultra-marino francês localizado no Oceano Pacífico. A ilha, situada a cerca de 230 quilómetros a noroeste de Papeete (Taiti), encontra-se rodeada por uma laguna delimitada por um recife de coral de onde sobressaem algumas pequenas ilhotas, os motus. No interior deste arco erguem-se dois picos, o Monte Pahia e o Monte Otemanu, este último com 727 m de altitude (o ponto mais alto da ilha), reminiscências de um vulcão entretanto extinto. O nome original da ilha em língua taitiana, Pora Pora, pode ser traduzido como Nascida em primeiro.

Administrativamente a ilha faz parte da comuna (municipalidade) de Bora-Bora, pertencendo esta à divisão administrativa das Ilhas de Sotavento. Em Agosto de 2007 a sua população rondava as 8.880 pessoas. A povoação principal, Vaitapé, situa-se na parte ocidental da ilha, em oposição ao principal canal de entrada na laguna. Os produtos insulares estão limitados ao que pode ser obtido do oceano e aos coqueiros, historicamente de grande importância económica devido à copra.


História

Abel Aubert du Petit-Thouars conquistando o arquipélago do Taiti a 9 de Setembro de 1842.Apesar de já avistada ao longe pelos primeiros exploradores, foi James Cook quem conduziu o primeiro grupo de europeus à ilha em 1777. No entanto, a ilha já era habitada por populações polinésias desde o século IV.

Em 1842, Bora-Bora torna-se um protectorado francês, no decorrer das acções protagonizadas pelo Almirante Abel Aubert du Petit-Thouars.

Segunda Guerra Mundial

Na sequência do ataque a Pearl Harbor pelo Japão em 7 de Dezembro de 1941, os Estados Unidos da América entram na Segunda Guerra Mundial. Bora-Bora torna-se uma base militar estado-unidense no Pacífico Sul. Armazéns de combustível, armamento e provisões, pista de aviões, base de hidroaviões e fortificações defensivas são construídos. No entanto, a ilha não foi palco de qualquer combate, pelo que a presença estado-unidense não foi contestada no decurso da guerra. Apesar de oficialmente encerrada a 2 de Junho de 1946, vários membros do pessoal estado-unidense recusaram-se a partir devido ao afecto desenvolvido pela ilha.

A pista aérea construída, apesar de nunca ter tido capacidade para acomodar uma aeronave de grande porte, foi o único aeroporto internacional da Polinésia Francesa, até à abertura do Aeroporto Internacional de Faa'a em Papeete, no Taiti, no ano de 1962.

Actualidade

Bora Bora Pearl Beach Resort, em Bora-BoraActualmente, a ilha depende essencialmente do turismo. Nos últimos anos, sete resorts de luxo foram construídos nos motus que circundam a laguna.

Há trinta anos atrás, o hotel Bora Bora construíu os primeiros over-the-water bungalows em estacas sob as águas da laguna, sendo que actualmente este tipo de habitação tornou-se comum na maioria dos resorts da ilha. Estas cabanas privadas oferecem vistas sobre a laguna e os picos e proporcionam acesso fácil à água, sendo luxuosos e com preços de acordo.

A principal atracção deste local é a sua laguna de águas calmas e cristalinas, que permite desfrutar de uma grande panóplia de actividades náuticas, contando-se entre estas as expedições de mergulho para alimentação de tubarões e raias. Existem também excursões em terra, como passeios de todo-o-terreno pelos montes para apreciar a vista e visitas às antigas fortificações da Segunda Guerra Mundial.

Apesar do francês e do taitiano serem as principais línguas faladas pelos habitantes, as pessoas que contactam mais com os turistas possuem na generalidade bons conhecimentos de inglês. Os principais visitantes são originários dos EUA, Japão e Europa.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O HIMALAIA






O Himalaia, Himalaias ou Cordilheira do Himalaia é a mais alta cadeia montanhosa do mundo, localizada entre a planície indo-gangética, ao sul, e o planalto tibetano, ao norte. A cordilheira abrange sete países (Índia, China, Butão, Nepal, Paquistão, Myanmar, Afeganistão) e contém a montanha mais alta do planeta, o Monte Everest. O nome Himalaia vem do sânscrito (pronunciada com um longo primeiro 'a' e um curto último 'a', como 'himaal-ya', em vez de 'him-u-l-yu' ou 'him-u-layaa') e significa "morada da neve". Os Himalaias espalham-se, de oeste para leste, do vale do rio Indo ao vale do rio Bramaputra, formando um arco de cerca de 2500 km de extensão e com uma largura variando de 400 km no oeste, na região da Caxemira-Tibete, a 150 km no leste, na região do Tibete-Arunachal Pradesh.


Descrição geral

Perspectiva do Himalaia e do Monte Everest e todo o planalto do Tibete (imagem de satélite) (versão comentada)Os Himalaias formam um grande sistema montanhoso, que incluem o Himalaia propriamente dito, o Caracórum, o Hindu Kush e o Pamir. Este sistema estende-se por seis diferentes nações: Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal, Butão e República Popular da China. Juntas estas cordilheiras, o sistema montanhoso do Himalaia é o teto do mundo, e lar dos picos mais altos do planeta, o Monte Everest (8848 m) e o K2 (8611 m). O pico mais alto fora dos Himalaias é o Aconcágua, nos Andes, com 6962 m, e somente no Himalaia há mais de 100 picos excedendo os 7200 metros de altitude.

Os Himalaias são fonte de duas das maiores bacias hidrográficas: a bacia do rio Indo e a bacia do Ganges-Bramaputra. Aproximadamente 1000 milhões de pessoas vivem nas bacias hidrográficas de rios que nascem no Himalaia. Entretanto, a densidade populacional dos Himalaias é muito baixa e poucos são os centros populacionais, sobretudo na vertente meridional. O Himalaia influencia também fortemente o clima, a vegetação e a distribuição dos animais.

A cordilheira Himalaia consiste de três cadeias paralelas, que do sul para o norte, são o sub-Himalaia, os Pequenos Himalaias e os Grandes Himalaias. As montanhas começaram a se formar por dobras há 40 milhões de anos, quando o subcontinente indiano se projetou em direção ao norte contra a principal massa terrestre asiática.

Origem

A viagem de mais de 6.000 km do continente indiano antes de sua colisão com a Ásia (Eurásia) entre cerca de 40 e 50 milhões de anos atrás.O Himalaia está entre as formações montanhosas mais jovens do planeta. De acordo com a moderna teoria das placas tectônicas, sua formação é resultado de uma colisão continental, ou então, pelo processo de orogenia (isto é, processo de formação de montanhas) entre os limites convergentes entre as placas Indo-australiana e da Eurásia. A colisão iniciou-se no Cretáceo Superior há cerca de 70 milhões de anos, quando a placa Indo-australiana se moveu rumo ao norte e colidiu com a placa da Eurásia. Há cerca de 50 milhões de anos, com a movimentação rápida da placa Indo-australiana, a junção já havia se estabelecido. Entretanto, a placa, continua a movimentar-se horizontalmente para baixo do planalto do Tibete, forçado a ascendência do planalto. As montanhas de Arakan-Yoma em Mianmar e as ilhas Andamão e Nicobar na Baía de Bengala também se formaram em decorrência dessa colisão.

A placa Indo-australiana ainda se move numa proporção de 67 mm/ano, e nos próximos 10 milhões de anos avançará cerca de 1500 km para o interior da Ásia. Cerca de 20 mm/ano da convergência da Índia com a Ásia é absorvida pelo empuxo ao longo da frente sul do Himalaia. Isto, leva os Himalaias a elevar-se cerca de 5 mm/ano; fazendo com que eles sejam geologicamente ativos. O movimento da placa indiana em direção à placa asiática, também faz esta região ser sismicamente ativa, induzindo terremotos periodicamente.

Glaciares e bacias hidrográficas

Glaciares próximos ao pico do K2.Um grande número de glaciares são encontrados nos limites do Himalaia. Entre eles encontra-se o glaciar de Siachen, o maior no mundo fora da região polar. Outros glaciares famosos incluem o Gangotri e Yamunotri no estado de Uttarakhand (Índia); Nubra, Biafo e Baltoro na região de Caracórum; o Zemu no estado de Sikkim (Índia); e o Khumbu na região do monte Everest.

As altas altitudes do Himalaia são cobertas por neve durante todo o ano, apesar de sua proximidade aos trópicos; e origina as fontes de vários rios perenes que na sua maioria associam-se a uma das duas bacias:

Os rios do oeste associam-se a bacia do rio Indo. O Indo nasce no Tibete na confluência dos rios Sengge e Gar e corre rumo ao sudoeste através do Paquistão para desaguar no mar da Arábia. O rio é alimentado por vários grandes afluentes, entre eles o rio Jhelum, o rio Chenab, o rio Ravi, o rio Beas e o rio Sutlej.

A maioria dos rios restantes drenam para a bacia do Ganges-Bramaputra. Diversos outros afluentes os alimentam durante seus caminhos. O Bramaputra nasce como Yarlung Tsangpo no oeste do Tibete, e corre para o leste através do Tibete e então para o oeste pelas planícies de Assam. O Ganges nasce na região central do Himalaia e corre no sentido leste. Ambos os rios se encontram em Bangladesh, e desaguam na Baía de Bengala formando um dos maiores deltas do mundo.




Formação de lagos pelo derretimento dos glaciares na região himalaia do Butão.No extremo leste do Himalaia as fontes alimentam o rio Irauádi, que se origina no leste do Tibete e corre para o sul através de Mianmar para desaguar no mar de Andamão.

Recentemente, cientistas têm monitorado o notável aumento da taxa de derretimento dos glaciares do Himalaia devido as alterações climáticas globais.[1] Embora os efeitos desse derretimento não sejam tão claros no presente, eles podem, potencialmente, num futuro próximo, significar uma calamidade para milhões de pessoas que contam com os glaciares para alimentar os rios durante a estação da seca.[2]

De acordo com o comitê para assuntos climáticos das Nações Unidas, os glaciares do Himalaia, que são a fonte dos maiores rios da Ásia, podem desaparecer em 2035 à medida que a temperatura se eleva, e Índia, República Popular da China, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Mianmar podem sofrer com inundações seguidas de estiagem nas próximas décadas.[3] Só na Índia, o Ganges provê água para beber e para a o cultivo para mais de 500 milhões de pessoas.[4]

Lagos

Lago Gurudogman, em Sikkim.A região do Himalaia é dotada de centenas de lagos. A sua grande maioria pode ser encontrada em altitudes inferiores a 5000 m, com o tamanho dos lagos diminuindo com a altitude. O maior lago é o Pangong Tso, na fronteira entre Índia e Tibete, e está a uma altitude de 4600 m. O lago Gurudogman, localizado em Sikkim, é um dos mais altos, a 5.148 m de altitude segundo a Missão Topográfica Radar Shuttle' (SRTM). Outros lagos incluem, o Tsongmo, na fronteira da Índia com a China, no Sikkim, e o lago Tilicho na região de Annapurna no Nepal. Todos os lagos são alimentados pelos glaciares, e são conhecidos pelos geógrafos pelo nome de tarns.

Impacto no clima
O Himalaia tem um efeito profundo sobre o clima do subcontinente indiano e do planalto tibetano. Impede que os ventos frios e secos do Ártico soprem no subcontinente, e mantém o Sul da Ásia muito mais quente do que ocorre nas regiões temperadas de outros continentes. Por outro lado, faz uma barreira para os ventos sazonais das monções, impedindo-os de seguir para norte, e provocando fortes chuvas na região Terai. O Himalaia desempenha um papel importante na formação dos desertos da Ásia Central, como o Taklamakan e o deserto de Gobi. As cadeias de montanhas ocidentais também resultam na precipitação de neve na região de Caxemira e em partes de Punjab e no norte da Índia. Apesar de ser uma barreira para os ventos frios de norte no inverno, o vale do Bramaputra recebe parte dos ventos frios diminuindo a temperatura nos estados do nordeste indiano e do Bangladesh.

Ecologia
A flora e fauna dos Himalaias varia com o clima, índices pluviométricos, altitude e tipo de solo, gerando assim diferentes comunidades ou ecorregiões.

Florestas de planície
Na planície Indo-gangética, na base dos Himalaias, uma planície aluvial drenada pelos rios Indo, Ganges e Bramaputra, uma vegetação exuberante se distribui, de oeste para leste, variando conforme a intensidade das chuvas. Uma vegetação xerófila ocupa as planícies do Indo no Paquistão e no Punjab (Índia). Mais a leste uma floresta decídua úmida se estende pelos estados indianos de Uttar Pradesh, Bihar e Bengal Ocidental, seguindo o curso do Ganges. Estas florestas de monção, com suas árvores caducas perdem suas folhas durante a estação seca. No extremo leste um floresta úmida perene ocupa as planícies de Assam, no vale do Bramaputra.

Cinturão do Terai
Acima da planície aluvial se estende uma faixa, o Terai, de pântanos sazonais de solo arenoso e argiloso. Os índices pluviométricos do Terai são maiores que nas planícies aluviais, e seu terreno plano, fazem com que os rios que descem velozes do Himalaia, diminuam seu ritmo, alargando seus cursos e tornando-se mais caudalosos no período das monções. Grande quantidade de sedimento fértil é depositado em suas planícies tornando-o um ecossistema rico. O Terai possui um mosaico de vegetação, incluindo pastagens, savanas, florestas úmidas e de folha caduca. Entre a fauna, merecem destaque, o rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis) e o porco (Sus salvanius). Tigres, elefantes, leopardos, ursos e cervos também fazem parte da fauna local. As gramíneas dessa região estão entre as mais altas do mundo, merecendo destaque o capim-kans (Saccharum spontaneum) e a capim-baruwa (Saccharum beghalensis).

Cinturão de Bhabhar
Localizado acima do Terai, é um planalto de solo rochoso e poroso. Possui um clima subtropical. No oeste dessa região localiza-se uma floresta de pinheiros, onde o pinheiro-azul ou pinheiro-branco-do-butão (Pinus roxburghii) é a principal espécie; já a região central é denominada por florestas de folhas-largas, dominadas pelo sal (Shorea robusta). Vários mamíferos ameaçados habitam esta região, entre eles, o tigre-de-bengala (Panthera tigris tigris), a pantera-nebulosa (Neofelis nebulosa), e o raro Langur-dourado (Trachypithecus geei). Entre as aves, a Arborophila mandellii é endêmica dessa ecorregião.

Colinas Siwalik
Também chamadas de Colinas Churia, localizam-se acima da região de Bhabhar. São pequenas cordilheiras se estendendo através dos pés do Himalaia, no Paquistão, Índia, Nepal e Butão. Consistem em várias pequenas cadeias, com altitudes entre os 600 a 1.200 metros. Sustentam uma vegetação arbustiva.

Pequenos Himalaias
Constituem cadeias montanhosas de 2000 a 3000 metros de altitude.

Região Central
Localiza-se entre os Pequenos e Grandes Himalaias. Em sua área central está coberta por florestas de folha caduca, e na parte superior por coníferas.

Região de arbustos e pastagens alpinas
Encontra-se acima da linha das árvores, ou seja, nesse ponto em diante não são mais encontradas árvores, e predomina vegetação arbustiva e pastagens alpinas. Entre os mamíferos encontram-se o leopardo-das-neves (Uncia uncia), o carneiro-azul (Pseudois nayaur), o tar (Hemitragus jemlahicus), o takin (Budorcas taxicolor), o goral-himalaio (Nemorhaedus baileyi) e a marmota-himalaia (Marmota himalayana).

Picos importantes

Vista aérea no Himalaia.Everest 8848 m - a montanha mais alta da Terra
K2 8611 m
Kangchenjunga 8586 m
Lhotse 8501 m
Makalu 8462 m
Cho Oyu 8201 m
Dhaulagiri 8167 m
Manaslu 8163 m
Nanga Parbat 8126 m
Annapurna 8091 m
Gasherbrum I 8068 m
Broad Peak 8047 m
Gasherbrum II 8035 m
Shishapangma 8027 m
Gyachung Kang 7922 m
Nanda Devi 7817 m
Kabru 7338 m - a sul do Kangchenjunga
Pumori 7161 m - um ponto de escalada popular